Isabel dos Santos “tira” 315 milhões aos acionistas do BPI

(TIAGO PETINGA/LUSA)

CaixaBank oferece menos 22 cêntimos do que em fevereiro de 2015. Na altura, OPA foi inviabilizada por Isabel dos Santos. Agora, toda a banca europeia desceu e negócio será menos generoso do que antes.

Os espanhóis do CaixaBank vão oferecer 1,113 euros por cada ação do BPI na Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada esta segunda-feira, um preço que é explicado pela média ponderada da cotação nos últimos seis meses — uma métrica habitual neste tipo de operações. No total, o CaixaBank oferece um pouco mais de 1.600 milhões de euros pelo BPI. Há pouco mais de um ano, porém, o banco oferecia mais de 1.900 milhões numa OPA que viria a ser inviabilizada por Isabel dos Santos. Essa recusa poderá, assim, custar mais de 300 milhões de euros aos acionistas do BPI.

Se a OPA lançada nesta segunda-feira tiver sucesso, algo para que será crucial a retirada da limitação de direitos de voto por via de decreto-lei, o BPI será absorvido pelos espanhóis do CaixaBank (que já é o maior acionista do BPI, com 44%) numa operação que avalia o BPI em 1.621 milhões de euros. O valor proposto aos acionistas é inferior ao que os espanhóis se dispunham a pagar em fevereiro de 2015: 1.936 milhões. É uma diferença de 21,6 cêntimos por ação, entre os 1.329 euros oferecidos em 2015 e os 1,113 euros oferecidos agora.

A diferença de 21,6 cêntimos por ação representa, para a generalidade dos acionistas do BPI, um valor de 315 milhões de euros. Este é o preço total entre a oferta que esteve na mesa em fevereiro de 2015 e aquilo que os acionistas poderão receber agora. Um desses acionistas é, claro, Isabel dos Santos e os 18% do BPI que são detidos pela “sua” Santoro Finance.

Neste período entre a última OPA fracassada (junho de 2015) e a nova investida pelo CaixaBank, o setor bancário europeu não tem tido vida fácil nos mercados acionistas, com receios em torno da rentabilidade das instituições, as taxas de juro negativas e a introdução de nova regulação para o setor. O BPI acompanhou essas perdas, mas foi ainda pressionado por fatores como a depreciação dos ativos em África.

BPI vale menos do que há um ano. Banca europeia também

O gráfico da Bloomberg compara a evolução da cotação do BPI desde final de 2014 (linha branca) e a trajetória do índice de bancos europeus (Stoxx 600 Banks, na linha amarela)
O gráfico da Bloomberg compara a evolução da cotação do BPI desde final de 2014 (linha branca) e a trajetória do índice de bancos europeus (Stoxx 600 Banks, na linha amarela)

Ainda assim, apesar destas condicionalidades internas e externas, o que é facto é que os acionistas do BPI perderam uma oportunidade para vender por 1,329 euros por ação e, agora, apenas poderão ambicionar vender ao CaixaBank por 1,113 euros (caso a proposta não venha a ser revista em alta). Trata-se de uma perda superior a 16% no espaço de pouco mais de um ano.
CaixaBank diz que oferta é feita a um “preço justo”

O presidente dos catalães do CaixaBank, Gonzalo Gortazar, está a conversar com analistas financeiros numa chamada de teleconferência. Em declarações citadas pela Bloomberg, Gortazar dá mais algumas informações sobre os seus planos para o BPI e defende que o preço oferecido — 1,113 euros — é um “preço justo”.

Gortazar começou por dizer que a oferta pelo BPI é um “passo natural” para o banco espanhol e elogiou a “boa gestão” e o “negócio atrativo” que foi montado pela equipa liderada por Fernando Ulrich. O responsável acrescenta que o CaixaBank está “otimista” em relação à recuperação económica em Portugal.

O presidente-executivo do CaixaBank adiantou, ainda, que o Banco Central Europeu (BCE) já tem conhecimento dos planos do CaixaBank e espera que o BCE dê tempo ao banco para resolver o problema em Angola.

A ação do BPI irá continuar a cotar na bolsa de Lisboa, afirmou Gonzalo Gortazar. Os títulos do BPI continuam suspensos na bolsa de Lisboa, num dia em que as ações do BCP estão a cair mais 7% e a ceder os ganhos registados graças à expectativa de que Isabel dos Santos poderia entrar no capital do banco liderado por Nuno Amado, no âmbito da solução para o problema do BPI. (OBSERVADOR)

por Edgar Caetano

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