Isabel dos Santos critica governo português por “medida sem precedentes” do decreto-lei

(TIAGO PETINGA/LUSA)

Empresária angolana reage e dispara em todas as direções. Isabel dos Santos diz que não houve qualquer recuo da Santoro e critica o governo por interferir com o decreto-lei já aprovado.

A empresária angolana reage, finalmente, e dispara em todas as direções. Isabel dos Santos diz que não houve qualquer recuo da Santoro – “acordo [com CaixaBank] nunca foi definitivo” – e critica o governo por interferir com o decreto-lei já aprovado para o fim das blindagens dos estatutos na banca. Foi uma “medida historicamente sem precedentes“, diz Isabel dos Santos.

Num longo comunicado divulgado nesta terça-feira, a Santoro Finance diz que a aprovação do decreto-lei foi “declaradamente parcial” e que “favorece uma das partes no momento em que estas se encontravam em pleno processo negocial“.

Isabel dos Santos diz que, no dia 10 de abril, véspera do prazo-limite dado pelo BCE, não houve “acordo definitivo” mas, sim, “princípios de entendimento“. Seriam esses princípios de entendimento que “deveriam ter sido consolidados num documento a ser assinado por ambas as partes durante a semana seguinte”.

No entanto, existiam ainda assuntos pendentes que deveriam ser solucionados, em relação aos quais o CaixaBank recusou, dias depois, a sua formalização, nomeadamente a questão relacionada com a liquidez dos acionistas do BPI”.

“O acordo entre Santoro e CaixaBank nunca foi finalizado. E, porque nunca foi finalizado, é falso ter existido qualquer quebra do acordo da parte da Santoro”, diz a empresa de Isabel dos Santos.

A empresária confirma que um dos “pontos críticos” sobre os quais acabou por não haver acordo está relacionado com um spin off (autonomização) do Banco Fomento Angola (BFA), “o qual implicaria necessariamente a admissão à cotação do BFA na Euronext Lisboa ou noutra bolsa, uma vez que todos os acionistas, incluindo os minoritários do BPI, receberiam ações do BFA”. Este era um ponto “inegociável“, diz a Santoro. (Observador)

por Edgar Caetano

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