Debandada do PP enfraquece ainda mais o Governo Dilma na Câmara

Deputados favoráveis ao impeachment protestam na Praça dos Três Poderes. (Fernando Bizerra Jr. EFE)

Maioria de deputados do PP se posiciona pelo impeachment e partido pode deixar base do Governo

A falta de convicção do PP como partido da base do Governo já havia ficado clara na Comissão Especial do Impeachment, na qual três dos cinco representantes do partido votaram pelo prosseguimento do processo de impedimento contra a presidenta Dilma Rousseff. Nesta terça-feira, a legenda tornou sua relutância em relação ao Governo oficial: por 37 votos contra 9, os deputados do PP decidiram fechar posição a favor do impeachment — o partido tem 47 deputados. Não bastasse a debandada do PP, o PRB, que já havia rompido com o Planalto no mês passado, fechou posição a favor do impeachment. Ou seja, seus 22 deputados vão votar pelo impedimento da presidenta no domingo. Agora, ficará ainda mais difícil segurar na base partidos como PR e PSD.

“É uma decisão que sei que é histórica, mas que visa a unidade da bancada. Vamos sair para o gabinete do presidente do partido e comunicar que o partido deliberou pelo encaminhamento no plenário do voto sim”, disse o deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), ex-ministro do Governo Dilma e líder da bancada na Câmara. Ribeiro votou contra o processo de impedimento na Comissão do Impeachment.

O PP era alvo de assédio tanto do Planalto quando do grupo do vice Michel Temer porque se transformou em central na batalha do impeachment. A legenda possui a quarta maior bancada da Câmara, atrás do PMDB, do PT e do PSDB. A legenda, que hospeda mais políticos investigados por envolvimento na Operação Lava Jato ( são 32 dos 51 citados), cresceu no mês passado, recebendo oito novos nomes quando ainda era possível trocar de partido sem ser punido.

O desembarque do PP era esperado na sequência do rompimento dos peemedebistas com o Governo, mas o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), vinha estendendo a permanência da quarta maior bancada da Câmara ao lado de Dilma até agora. A adesão se manteve sob a promessa de ocupar parte do espaço deixado pelo PMDB na Esplanada dos Ministérios, como o Ministério da Saúde – mas o Palácio do Planalto decidiu, depois, que só mexeria efetivamente na composição do Governo após a votação do impeachment no domingo. Momentos após a decisão da bancada nesta terça, Nogueira colocou os cargos que a sigla ainda tem na Esplanada à disposição. O ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, por exemplo, é do partido. (EL PAIS)

por Rodolfo Borges

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