Como a ajuda a Angola está a passar factura à bolsa nacional

(Foto: D.R.)

A notícia do pedido de ajuda de Angola contribuiu para o desempenho negativo da praça de Lisboa nas últimas duas sessões. As empresas expostas a este país lideram as perdas.

A praça de Lisboa voltou a destacar-se pela negativa entre as principais praças europeias, nas últimas duas sessões. A notícia de que Angola pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) tem estado a castigar as cotadas expostas a este país. Um efeito negativo que os analistas admitem que poderá manter-se. Mas, a longo prazo, se a economia reagir positivamente, a tendência pode inverter-se.
Depois de ter contrariado os ganhos das pares europeias na quarta-feira, o PSI-20 liderou as perdas no Velho Continente. Nas últimas duas sessões, o PSI-20 acumula uma queda de 2,31%, ao passo que o Stoxx 600, o índice de referência da Europa, cede apenas 0,02%. Com este desempenho, a praça de Lisboa está já em mínimos desde meados de Fevereiro.
A penalizar o desempenho da bolsa nacional têm estado sobretudo as empresas com exposição a Angola. O BCP  cai 8,78%, enquanto o BPI desce 6,72%. Contudo, os bancos nacionais têm também sido penalizados pelo agravamento dos juros da dívida portuguesa no mercado secundário. A “yield” das obrigações a 10 anos atingiu os 3,419%, máximos de Fevereiro.
A terceira maior desvalorização do PSI-20, neste período, é protagonizada pela Mota-Engil, que deprecia 6,33%. Já a Galp Energia cede 1,61%.
“O anúncio do pedido de resgate ao FMI teve como efeito imediato um sentimento ‘vendedor’ por parte dos accionistas em relação a acções de empresas portuguesas com exposição directa a Angola, pois veio confirmar a frágil situação em que se encontra o país, cuja economia está excessivamente exposta ao preço do petróleo, que recuou mais de 60% em dois anos”, explica Carlos Sequeira, “trader” da sala de mercados do Montepio.
Uma posição partilhada por João Queiroz. “Qualquer pedido de assistência financeira tende a ter um impacto negativo nas entidades que se relacionam com quem efectua a solicitação, pelo que os investidores tendem a ajustar as ‘receitas’ e ‘valores a receber’ porque assumem cenários de que é exemplo uma ‘crise de pagamentos'”, frisa o director de negociação da GoBulling.
A equipa de “research” do BiG considera que, no curto/médio prazo, este pedido deverá “penalizar a economia angolana, e consequentemente as empresas que operam nesta, justificando as quedas nas cotadas expostas a Angola”. Mas, e tendo em conta que à excepção da Mota-Engil, “os segmentos das cotadas que se encontram expostos à geografia angolana não se incluem no negócio principal das cotadas”, os mesmos analistas estimam que “este efeito se revele relativamente mitigado”.
Mas, lembra o “trader” da sala de mercados do Montepio, apenas será possível quantificar o impacto negativo deste pedido de resgate nas empresas portuguesas “quando se souberem os trâmites do pedido”.
E, no longo prazo, “se a própria ajuda resultar um impacto virtuoso na economia, porque auxilia a sua recuperação, poderá então auxiliar as empresas com exposição aquele país a recuperarem os seus riscos”, acrescenta João Queiroz. (jornaldenegocios)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA