Comércio Angola e China

NSINGUI MALONGI Gestor e Consultor (Foto: D.R.)

A recente instituição da Câmara de Comércio Angola e China (CAC), cuja direcção tomou posse há dias, em substituição da Associação de Amizade criada em 1995, é de louvar. Em minha opinião já se impunha e considero de facto uma visão estratégica se atendermos para tudo quanto se tem desenvolvido e para a actual conjuntura económica nacional.

Angola e a China mantêm relações bilaterais históricas desde 2002 aquando do alcance da paz, coincidentemente na altura do lançamento da política de expansão da China e procura de novos mercados em África.

Ao longo destes anos, as relações bilaterais evoluíram de forma bastante significativa, além da cooperação económica, técnico-científica e cultural continuam a progredir num ambiente de confiança mútua e a consolidar-se cada vez mais. Apresentamos de seguida algumas razões que sustentam este ponto de vista:

O volume das trocas comerciais entre os dois Estados cresceu de forma considerável. Ao longo destes anos, subiu de 1,8 mil milhões de dólares em 2002, para mais de 37,5 mil milhões de dólares em 2012, apesar da redução registada no ano de 2015, de quase 50 por cento no volume das trocas comerciais, mais precisamente menos 46,24 do que no período homólogo de 2014, atingindo cerca de 18,27 mil milhões de dólares.

As previsões para 2016 apontam para uma baixa. Ainda assim, o volume das trocas comerciais continua a ser bastante expressivo, segundo uma nota do Ministério do Comércio chinês.

Sendo já o terceiro maior parceiro a Sul do continente africano, o número de empresas a operar em território nacional excede as 2.500, com um domínio esmagador para as do sector da construção civil, pois, possuem um tecido empresarial muito forte, sendo que o valor acumulado das empreitadas realizadas pelas empresas chinesas em Angola no ano de 2015 foi de 56,7 mil milhões de dólares, segundo um registo da Embaixada da China.

De acordo com o relatório da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), no primeiro trimestre de 2015, a China foi responsável por cerca de 46 por cento do total de investimento estrangeiro em Angola, mais 10 pontos percentuais do que no período homólogo.

Neste momento, a China é a maior parceira comercial de Angola, sendo Angola o segundo maior mercado de empreitada e a terceira maior parceira comercial da China no continente africano. Ainda constitui o maior importador de petróleo de Angola, com números a rondar os 806 milhões de barris no ano de 2014, citando uma nota da Agência Internacional de Energia.

Outrossim, a China tem demonstrado um forte interesse para que a cooperação comercial entre os dois Estados nos próximos anos evolua e possa abarcar também outros sectores, como agricultura, indústria, construção de infra-estruturas ferroviárias, estradas, hospitais, escolas, electricidade, etc, o que oferece boas oportunidades de negócio e desenvolvimento, tanto para empresas chinesas, bem como para angolanas, porquanto os empresários chineses têm demonstrado estar focados e muito interessados em diversificar os seus negócios em Angola, pois continuam em busca de parceiros estratégicos que constituam uma mais-valia e potenciação para o processo de diversificação da economia nacional.

Creio que há necessidade de uma melhor regulação e acompanhamento dos investimentos das duas partes. Reconheço ao corpo directivo recém-empossado grande valia técnica, visto que tem a tarefa desafiadora de dar uma outra dinâmica e fomentar a cooperação económica entre estes dois países, prestar assessoria para protecção dos investimentos privados em Angola e parceria privada entre empresários dos dois países, assim como enquadrar melhor as intenções de investimento, incentivar e ajudar o nosso empresariado nacional para que se comunique com os empresários chineses, para benefício dos angolanos em desvantagem de experiência, comparativamente aos chineses e representar ainda os associados junto de entidades políticas e governamentais de Angola e da China. (jornaldeeconomia)

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