Caixabank e Isabel dos Santos têm dois dias para chegar a acordo

(Miguel Baltazar)

Termina este domingo, 10 de Abril, o prazo dado pelo Banco Central Europeu para o BPI encontrar uma solução para o problema do excesso de exposição a Angola. Os dois maiores accionistas do banco já voltaram à mesa das negociações mas, até à data, ainda não há fumo branco.

Caixabank e Isabel dos Santos têm apenas dois dias para chegarem a um acordo. Os dois maiores accionistas do BPI estão em contra-relógio para encontrarem um acordo de divórcio que separe os seus interesses no banco de Fernando Ulrich e permita, ao mesmo tempo, resolver o problema da instituição.

O Negócios noticiou a 2 de Abril que os representantes de Isabel dos Santos e do CaixaBank já voltaram à mesa das negociações para tentar alcançar um entendimento antes de terminar o prazo que o Banco Central Europeu deu para o BPI reduzir a sua presença em Angola, que vence a 10 de Abril. Nenhuma das partes comentou, porém, até ao momento, o regresso às negociações nem os aspectos que falta acertar.

Só esta semana as acções do BPI já perderam quase 5%, penalizadas, não só, pela falta de acordo, mas também pelo pedido de ajuda que Angola solicitou ao Fundo Monetário Internacional esta quarta-feira. Esta sexta-feira, e após três sessões consecutivas de queda, os títulos valorizam 2,17% para 1,178 euros.

Os traços essenciais de um futuro acordo estão definidos há algumas semanas, prevendo que a Santoro Finance, “holding” de Isabel dos Santos, venda a posição de 18,58% no BPI ao CaixaBank que, de seguida, terá de lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o banco. Mas para resolver o problema angolano, o BPI venderá a sua posição de controlo no Banco de Fomento Angola (BFA) à empresária angolana.

O regresso às negociações acontece depois de o CaixaBank ter anunciado ao mercado a 24 de Março que “não se conseguiram reunir as condições necessárias para alcançar um acordo com a Santoro Finance”. Uma posição que terá permitido ao grupo catalão definir os limites que não estava disponível para ultrapassar.

O comunicado do CaixaBank teve o mérito de levar o braço-direito de Isabel dos Santos a defender o retomar das negociações. “Acreditamos que o bom senso prevalecerá e o diálogo será imediatamente retomado”, afirmava Mário Leite Silva ao Negócios a 25 de Março.

No último mês, os dois maiores accionistas do BPI estiveram por diversas vezes próximos de fechar um acordo, na sequência de movimentações que chegaram a envolver o primeiro-ministro, num esforço aplaudido pelo Presidente da República. António Costa recebeu Isabel dos Santos e o presidente do CaixaBank, Isidro Fainé, em São Bento e, a 19 de Março, chegou a afirmar que tinha resolvido o problema do BPI. No entanto, as negociações ainda decorrem.

Caso não seja possível fechar um acordo que permita resolver o problema angolano até 10 de Abril próximo, o BPI poderá ser alvo de um procedimento de execução ou sancionatório do Banco Central Europeu que, depois dos respectivos trâmites, pode levar à aplicação de uma multa diária à instituição financeira que, no limite, pode chegar a 160 mil euros, até que a exigência do supervisor europeu seja cumprida. (Jornal de Negocios)

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