BPI corrige versão de Isabel dos Santos

(Miguel Baltazar/Negócios)

O BPI acaba de fazer um comunicado em que corrige a versão apresentada por Isabel dos Santos sobre as razões que levaram ao fracasso das negociações entre os seus dois maiores accionistas. E assinala preocupação da empresária com “os interesses de todas as partes”.

As explicações apresentadas por Isabel dos Santos para o fracasso do acordo com o CaixaBank levaram o BPI a fazer um comunicado em que corrige alguns dos pontos apresentados horas antes pela empresária angolana. “O Banco BPI não reconhece a versão dos factos apresentada”, sublinha a instituição liderada por Fernando Ulrich.

A principal preocupação do BPI é esclarecer que houve mesmo acordo entre os seus dois maiores accionistas, ao contrário do que afirma o comunicado da Santoro Finance, “holding” de Isabel dos Santos. E que foi devido às alterações propostas pela empresária que o entendimento ficou sem efeito.

“O Banco BPI reafirma que lhe foi comunicado pela Santoro Finance e pelo CaixaBank, em 10 de Abril, que ‘ se encerraram com sucesso’, naquele dia, as negociações que envolveram aquelas entidades com o objectivo de ‘encontrar uma solução para a situação de incumprimento pelo Banco BPI do limite dos grandes riscos’”, adianta a instituição.

O grupo liderado por Fernando Ulrich “reafirma igualmente que, como comunicou ao mercado em 17 de Abril, ao solicitar alterações aos documentos contratuais nos quais estava vertido o resultado das negociações que tinham sido encerradas a 10 de Abril, a Santoro Finance desrespeitou o que tinha acordado, relativamente a obrigações que apenas diziam respeito à própria Santoro”, afirma a instituição no comunicado divulgado esta terça-feira à noite, no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Recorde-se que no comunicado emitido ao início da tarde pela “holding” de Isabel dos Santos é afirmado que “o acordo entre Santoro e CaixaBank nunca foi finalizado”, pelo que “é falso que ter existido qualquer quebra do acordo da parte da Santoro”.

O BPI desmente ainda que tenha faltado a uma reunião agendada com o Banco Nacional de Angola (BNA) relacionada com o facto de, segundo Santoro, o CaixaBank e o BPI pretenderem “obter, através dos contratos com a Santoro, a garantia de exportação de capital de Angola no valor de centenas de milhões de dólares”. No seu comunicado, a “holding” da empresária afirma que, “perante tal exigência e considerando o papel decisivo do BNA nesta matéria, foi agendada uma reunião com o regulador angolano, na semana passada, a qual não se realizou por alegada indisponibilidade dos representantes do BPI”.

O banco vem agora esclarecer que esta afirmação “não corresponde à verdade”. E explica: “tal reunião nunca foi solicitada pelo BNA e nunca esteve, portanto, agendada. O Banco declara, a este propósito, que sempre esteve e estará disponível para responder às solicitações do BNA, instituição com a qual sempre manteve e continua a manter um relacionamento de plena colaboração”.

Apesar das correcções a Isabel dos Santos, o BPI não deixa de registar “a intenção da Santoro no sentido de ‘conduzir este processo de forma a responder aos interesses de todas as partes envolvidas, respeitando sempre os princípios da idoneidade e transparência’”. No entanto, o banco não faz qualquer avaliação sobre esta afirmação. (Jornal de Negocios)

por Maria João Gago

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