BCE deixa tudo na mesma, após reforço dos estímulos em Março

A entidade liderada por Mario Draghi manteve a taxa de referência em 0% na reunião desta quinta-feira, mas irá dar detalhes sobre o programa de compras de dívida de empresas.
Após o reforço do arsenal de estímulos monetários no mês passado, o BCE deixou tudo na mesma esta quinta-feira, o que já era esperado pelo mercado. A entidade liderada por Mario Draghi manteve a taxa de referência em 0%, a taxa de depósitos em -0,40% e a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez em 0,25%.

“Na reunião de hoje, o Conselho do BCE decidiu que a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão inalteradas em 0,00%, 0,25% e -0,40%, respectivamente”, referiu o BCE em comunicado.

A 10 de Março, o BCE tinha cortado todas aquelas taxas e tinha também anunciado um novo leque de medidas de estímulo monetário. E, nesse mês, anunciou o reforço do ritmo de compras mensais de activos de 60 mil milhões para 80 mil milhões de euros e que iria começar a comprar obrigações de empresas da Zona Euro que tivessem “ratings” de grau de investimento. Além disso, Mario Draghi revelou também quatro novas operações de refinanciamento de prazo alargado a quatro anos em que, sob certas condições, os bancos poderiam beneficiar de juros negativos.

“O BCE enfrenta relativamente baixas expectativas para uma mudança. Uma alteração da abordagem de política monetária é bastante improvável”, consideravam os analistas do Commerzbank, numa nota a investidores, antes da decisão de manutenção das taxas ter sido revelada.

Mercado aguarda detalhes sobre a compra de dívida empresarial

Apesar de não ter havido alterações nos instrumentos de política monetária, o foco do mercado estará na conferência de imprensa de Mario Draghi, que terá início às 13:30. O mercado espera que o presidente do BCE dê mais detalhes sobre as compras de dívida de empresas.

“O mais interessante para nós na reunião de hoje será aferir se houve progressos logísticos no programa de compras de obrigações empresariais”, referiram os analistas do Deutsche Bank numa nota a investidores. “Desde a data do anúncio que os detalhes para o programa têm sido ténues e a esperança é que hoje haja maior clarificação sobre o potencial tamanho, a divisão entre mercados primário e secundário e sobre a elegibilidade das obrigações”, acrescenta o banco alemão.

O BCE informou que “a ênfase recai agora sobre a execução das medidas não convencionais adicionais decididas em 10 de Março de 2016. Após a conferência de imprensa de hoje, será publicada, no sítio do BCE, mais informação sobre os aspectos da implementação do programa de compra de activos do sector empresarial”.

Draghi à defesa?

Os bancos de investimento têm apontado que mesmo com a artilharia pesada utilizada por Draghi em Março, as medidas não têm mostrado eficácia. Muito por causa da solidez do euro no mercado cambial e pela quebra das expectativas de inflação. “É improvável que o Conselho de Governadores do BCE esteja satisfeito com os desenvolvimentos desde a última reunião”, observam os economistas do RBC Capital Markets.

Ainda assim, não se esperava que Draghi avançasse para novas medidas. “Como passou pouco tempo [desde as últimas medidas] e as compras de crédito ainda nem começaram, tudo o que Draghi pode fazer é defender fortemente as últimas iniciativas. É provável que rejeite apelos para mais acção”, conclui o RBC Capital Markets.

Jornal Negócios

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