Automobilistas agastados com elevado número de postos de controle na estrada Mbanza Congo/Luanda

Estrada Mbanza Congo/Luanda (Foto: Pedro Moniz Vidal/Arquivo)

Os automobilistas que fazem o percurso Mbanza Congo(Zaire) à capital do país, Luanda, uma via com cerca de 82 quilómetros, mostraram-se segunda-feira, agastados com o elevado número de postos de controle policial implantados ao longo desta estrada nacional.

Abordados pela Angop, os utentes da via apontaram existir cerca de 20 postos de controle policial destacados nesta estrada, a partir da zona económica especial (ZEE) de Luanda até à cidade de Mbanza Congo, passando pelos municípios do Nzeto e Tomboco.

Segundo contaram, os postos policiais, muitos dos quais móveis, são mais frequentes aos fins de semana, altura em que centenas de viaturas transportam mercadorias e passageiros para o mercado transfronteiriço do Luvo (Mbaza Congo), que acontece aos sábados de forma alternada em ambos os lados da fronteira entre Angola e a República Democrática do Congo (RDC).

O motivo apontado de tantas vistorias por parte dos agentes policiais, que de alguma forma contribuem no aumento do tempo de viagem entre Luanda e Mbanza Congo e vice-versa, tem a ver com a prevenção rodoviária, certificação da documentação do motorista e da viatura, o combate à imigração ilegal, bem como do contrabando de mercadorias e tráfico de seres humanos.

No entanto, o automobilista de um mini-autocarro que transporta passageiros na rota Luanda/Posto fronteiriço do Luvo, Alfredo Culolo, 25 anos de idade, alega que mesmo com a documentação completa e em situação regular, os motoristas são frequentemente molestados pelos agentes de viação e trânsito que os retêm os documentos.

” Passamos mal na via, já que a polícia não se importa ter ou não documentos completos da viatura ou carta de condução”, queixou-se.

Segundo disse, numa situação normal uma viagem de Luanda para Mbanza Congo e vice-versa duraria no máximo quatro horas, mas com tantas paragens e complicações na via, a mesma chega a efectuar-se em seis ou oito horas, facto que cansa os passageiros.

Para Manuel Diabanza, também automobilista de um mini-autocarro, as viaturas de transporte público de passageiros são as mais sacrificadas na via pelos agentes da polícia nacional, ao considerarem que são as que mais facturam com a lotação.

O interlocutor revela que muitos colegas de profissão furtam-se agora a frequentar essa via por considerarem acarretar mais prejuízos do que benefícios.

“O patrão já desconfia de nós por não apresentarmos contas certas, já que parte considerável do dinheiro que cobramos aos passageiros fica na via”, lamentou.

Na opinião de Nzuzi Kiangebeni, 26 anos de idade, passageiro, as autoridades policiais deveriam estabelecer apenas postos fixos em determinados locais da via e dar a conhecer aos automobilistas, para que saibam da legalidade dos mesmos, presumindo que muitos destacamentos policiais que aparecem neste troço serem ilegais.

“Às vezes chegamos de deduzir que muitos postos policiais que aparecem nesta estrada são ilegais, porquanto os agentes que os compõem nem sempre trazem alguma identificação, procurando a todo o custo extorquir dinheiro aos automobilistas”, disse. (ANGOP)

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