Associação de Fotógrafos aposta na formação dos seus membros

Fotógrafo José Cola é o secretário-geral da Associação dos Repórteres de Imagem de Angola e considera-se um exemplo de profissional da área . (Foto: Contreiras Pipa)

A regulação da actividade da classe é uma das principais preocupações da direcção devido ao grande número de pessoas que se dedica a este trabalho sem obedecer regras.

A Associação dos Repórteres de Imagem de Angola (ARIA) tem vindo a desempenhar um trabalho importante para que os profissionais da fotografia estejam mais organizados, de forma a consolidar a sua aceitação e valorização no mercado, daí que a sua maior aposta recai fundamentalmente na contínua formação e profissionalização da classe no geral e dos seus associados em particular.

Essa garantia foi avançada pelo secretário-geral da Aria, José Cola, que reconhece que os profissionais da sua área desempenham um grande papel na recolha, tratamento e divulgação de imagens, pelo que enaltece a sua árdua missão para o engrandecimento da profissão, que tem gerado vários empregos para muitos jovens e garante rendimentos para muitas famílias.

José Cola salienta também que a associação, fundada em 2011, controla mais de vinte mil fotógrafos membros, dentre eles amadores e profissionais. Apesar disso, muitos deles queixam-se de restrições no exercício da profissão em alguns lugares da cidade e que não tem sido fácil trabalhar ou agradar muitos clientes.

Capacitação

No que diz respeito à formação, José Cola garante que a instituição que dirige também vela pela profissionalização dos seus associados e, por isso, anualmente, tem feito formações e seminários de capacitação de maneira a dotá-los de meios e técnicas para que o trabalho seja feito da forma mais profissional possível e com a qualidade recomendável.

“O nosso compromisso é continuarmos com a acção formativa dos associados para reflectir na qualidade dos seus serviços”, afirma. Normalmente, informou, a acção de formação acontece todos os anos no dia 16 de Fevereiro, consagrado ao repórter, e a 19 de Agosto, Dia Mundial da Fotografia.

O secretário-geral da ARIA (Associação de Repórteres de Imagem) adianta ainda que o negócio da fotografia é bastante lucrativo, motivo pelo qual existem hoje muitos cidadãos expatriados a dedicarem-se a esta actividade em Angola, muitos inclusive de forma ilegal.

“Essa actividade deve ser fiscalizada, pois acaba por tirar trabalho a muitos nacionais que estão legalizados”, adverte. José Cola salienta que, em média, os fotógrafos particulares conseguem rendimentos superiores a 300 mil kwanzas mês.

“Ele tem a possibilidade de estar próximo do cliente, fotografar várias actividades e eventos como casamentos, aniversários, caldos, baptismo, empresas e outros eventos. Valorização da classe Questionado sobre a valorização dos fotógrafos por parte da sociedade, José Cola afirma que ainda há muito trabalho por se fazer, mas refere ainda que tudo está a ser bem encaminhado.

“Trabalhamos com a comunicação social para que a sociedade veja com outros olhos o fotógrafo. Hoje, notamos que já não é entendido como aquele indivíduo que carrega uma máquina, mas sim um profissional dotado de técnicas e certo nível académico que faz o seu trabalho com profissionalismo”, recorda.

José Cola adianta também que já há alguns profissionais com cursos superiores de fotografia feitos no exterior do país. Apesar de não existir nenhum do género no país “no curso de Ciências da Comunicação, administrado pela Universidade Independente de Angola, há uma cadeira de fotografia, que serve de referência para muitos”, salienta.

Parcerias José Cola fez saber, em entrevista ao JE, que este ano a associação que dirige, em parceria com o Instituto de Fomento Turístico de Angola (Infotur) organizou o primeiro concurso de fotografia denominado “Angola Minha”, onde participaram fotógrafos amadores e profissionais.

“Neste sentido, o primeiro passo foi dado. Esperamos que outras instituições patrocinem o evento, para que todos os anos possamos ajudar a valorizar este profissional”, apelou. Voz dos profissionais Para António Chundo, de 27 anos, ser fotógrafo é um sonho realizado que, além de uma paixão, lhe permite sustentar a sua família.

O mesmo ganhou experiência por intermédio de um amigo que tinha uma máquina, no bairro Boa Esperança, Viana, que lhe ensinou a fotografar. Hoje, ele trabalha num estúdio naquele município. “O curso que fiz foi uma mais-valia para a minha cerreira profissional e para a classe”, reconhece. Segundo ele, os meses de maior facturação são sem dúvidas os de Janeiro, Agosto e Dezembro, mas não explicou as razões.

Este último talvez por ser uma época festiva, além de acolher mais eventos no ano. Ele reporta casamentos e numa cerimónia daquelas pode cobrar até 260 mil kwanzas mediante a importância do evento e a quantidade de fotografias. Já Alberto Kuembese, profissional há mais de seis anos, salienta que ser fotógrafo é acima de tudo um dom pessoal e uma paixão antiga.

“ Sou um bom observador e gosto de ver a alegria das pessoas, tornar os momentos memoráveis, além de me fazer recuar no tempo”, relevou. Na sua opinião, o fotógrafo deve ser muito observador e captar aquilo que realmente interessa, para quem ver a foto olhar com espanto e admiração a obra de arte que partiu de uma simples observação. “É preciso surpreender todos os dias, ser criativo e imaginativo, além de ter em atenção o próprio clima, que pode influenciar a qualidade da foto”, considera. (jornaldeeconomia)

Por: Manuel Barros

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