As revelações do computador de um dos suspeitos dos ataques de Bruxelas

Operação policial no 9 de Abril de 2016 em Etterbeeck, perto de Bruxelas, onde os presumíveis terroristas encontraram refúgio (REUTERS/Yves Herman)

A justiça belga confirmou ontem que a célula terrorista que cometeu os atentados de Bruxelas no passado 22 de Março, visava inicialmente Paris. Na verdade, os atentados do passado 22 de Março em Bruxelas terão sido cometidos na precipitação, depois da polícia belga ter começado a desmantelar o grupo, com a detenção, a 18 de Março, de Salah Abdeslam, um dos suspeitos-chave dos ataques de 13 de Novembro aqui em Paris.

De acordo com um ficheiro encontrado no computador de Ibrahim El Bakraoui, um dos suspeitos dos atentados de Bruxelas, os terroristas tinham previsto atacar a Défense, o sector dos negócios aqui em Paris, e designadamente o centro comercial “Les quatre temps” situado naquele bairro, os locais da organização católica conservadora Civitas assim como o Euro 2016 de futebol que decorre aqui em França.

Estas revelações contidas num computador que a polícia belga refere ter encontrado no caixote do lixo próximo do apartamento ocupado pelos terroristas que cometeram o ataque do aeroporto de Bruxelas, foram confirmadas por Mohamed Abrini, presumível terrorista detido na sexta-feira passada, que reconheceu também imediatamente ser o misterioso homem do chapéu que acompanhava os kamikazes que se fizeram explodir no aeroporto de Zaventen, um procedimento inabitual segundo Peter Van Ostaeyen, um perito belga, que estima que o suspeito poderá ter mentido no intuito de proteger o que poderia restar da célula terrorista belga.

Apesar destas detenções em catadupa, ainda restam algumas pontas soltas na génese dos ataques de Bruxelas e Paris. Ossama Krayem, outro indivíduo detido pela polícia belga na sexta-feira, admitiu ser o segundo homem do ataque do metro de Bruxelas. As autoridades estão à procura da mochila que ele transportava no dia do ataque mas as buscas conduzidas no seu esconderijo não deram resultado. Entretanto, 3 semanas depois da sua detenção, Abdeslam permanece mudo.

Para Filipe Pathé Duarte, porta-voz do OSCOT, Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, é fundamental derrotar o chamado Estado Islâmico na Síria e no Iraque, para destruir as suas capacidades de projecção no terreno, mas isso não será suficiente. Na óptica deste analista, será necessário igualmente perceber o que leva cidadãos europeus a aderirem ao jihadismo. (RFI)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA