António Guterres: “É necessário regularizar a entrada dos refugiados”

António Guterres, antigo Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR), durante o colóquio na Cidade Universitária Internacional em Paris. (Marco Martins/RFI)

António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal e antigo Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR), esteve ontem em Paris e discursou num colóquio sobre as movimentações das populações no século XXI.

Ontem à noite na ‘Casa Heinrich Heine‘, a casa da Alemanha, decorreu o colóquio sobre as movimentações das populações no século XXI, que está integrado na iniciativa Universidade da Paz vai decorrer até sábado sob o lema “Paz e Migração: Pensar no Mundo de uma outra forma“.

O colóquio foi baseado no discurso de António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal e antigo Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR).

Em introdução, António Guterres lembrou queo dinheiro circula livremente, os bens e serviços também têm uma certa liberdade de circulação mas os povos têm mais dificuldades para se movimentarem“, numa clara alusão ao caso dos refugiados que têm possibilidades remotas de entrar na Europa.

Aliás é um erro segundo o político português encerrar as fronteiras. porque “os movimentos migratórios vão continuar. Temos de regularizar a entrada dos refugiados e não deixar haver um mercado ilegal liderado por traficantes“, recordando ainda que80% dos refugiados são forçados a emigrar por causa da violação dos direitos dos homens nos seus países e por causa dos conflitos, aos quais acrescentamos 20% de deslocados por causa dos desastres naturais“.

António Guterres deseja também aregulação da entrada dos migrantes porque se são reenviados para a Turquia, o caso concreto após os acordos entre a União Europeia e Ancara, os refugiados vão sentir cada vez menos protecção e segurança“.

A Europa “não estava preparada para a crise migratória porque no território europeu, prevêem-se os acontecimentos mas não se preparam“, sendo quea única solução é a regulação da entrada dos migrantes e a repartição dos refugiados por todos os países europeus para haver uma certa igualdade“.

Para fechar sobre o tema dos refugiados, António Guterres admitiu que ficoutriste por a Europa ter falhado o encontro com a crise migratória, não sabendo gerir o fluxo dos migrantes de uma só voz“.

ONU e outros temas

No colóquio, houve uma sessão de perguntas e respostas em que o único tema abordado não foram os refugiados.

A esperança em torno do cessar-fogo na Síria é concreto mas António Guterres afirmou que além doconflito na Síria, que está longe de ser resolvido, há ainda o Iraque e o Afeganistão“.

O antigo Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados também quis esclarecer que cerca de “86% dos refugiados são acolhidos por países em via de desenvolvimento como por exemplo o Líbano, a Jordânia, a Etiópia, o Quénia, o Paquistão ou ainda o Irão“, acrescentando que cerca de90% dos refugiados na Jordânia e no Líbanos vivem abaixo do nível de pobreza do país referido”.

Convidado a exprimir-se acerca das eleições nos Estados Unidos, António Guterres afirmou quetemos de confiar nos povos“.

Outro tema rapidamente abordado, a sua visita a Angola onde foi como candidato ao cargo de Secretário-Geral da ONU, aí a resposta foi:Não estou aqui em campanha para o cargo de Secretário-Geral da ONU e não sou o porta-voz do Governo angolano para falar sobre as suas políticas”.

Um colóquio que contou com uma centena de pessoas, entre as quais José Filipe Moraes Cabral, Embaixador de Portugal em França, e Hermano Sanches Ruivo, vereador da Câmara Municipal de Paris.

Em entrevista à RFI, Hermano Sanches Ruivo, lembrou a experiência de António Guterres no terreno com os refugiados e admitiu que é um excelente candidato ao cargo de Secretário-Geral da ONU. (RFI)

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