Afetado por escândalo dos “Panama Papers”, Cameron anuncia nova lei contra evasão fiscal

Primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron. 11/04/2016 (REUTERS/Stefan Wermuth)

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, vai tentar reconquistar a confiança em sua liderança nesta segunda-feira acelerando a aprovação de uma nova lei que irá tornar as empresas susceptíveis a penas criminais se seus funcionários contribuírem com a sonegação de impostos.

Após uma semana de questionamentos a respeito de sua riqueza pessoal e da ligação de seu falecido pai com um fundo offshore, Cameron procurou desarmar as críticas a respeito da maneira como lidou com as consequências dos “Panama Papers” divulgando sua própria declaração de imposto de renda.

Na tentativa de reforçar suas credenciais contra a corrupção, o primeiro-ministro dirá ao Parlamento nesta segunda-feira que irá apresentar uma legislação este ano que responsabilizará criminalmente empresas que não impeçam seus empregados de instruir seus clientes sobre maneiras de burlar o Fisco.

Mas tendo em conta os parlamentares opositores que dizem que Cameron não fez o suficiente para apaziguar as dúvidas sobre seus bens e os membros de seu próprio Partido Conservador que criticam sua condução da campanha de defesa da permanência britânica na União Europeia no referendo de 23 de Junho, a medida não deve abater a tempestade desencadeada pelos “Panama Papers”.

“Este governo fez mais do que qualquer outro nas acções contra a corrupção em todas as suas formas, mas irá além”, afirmou Cameron ao parlamento, de acordo com trechos adiantados de seu comunicado circulados por seu escritório.

“É por isso que iremos legislar este ano para responsabilizar criminalmente as empresas que não impedem que seus funcionários facilitem a evasão fiscal”.

O plano foi anunciado pelo ministro das Finanças, George Osborne, em Março de 2015, mas anteriormente o compromisso era apresentar a lei até 2020, informou Downing Street.

Contadores disseram que a medida pode levar as companhias a serem punidas por “empregados rebeldes” e aumentar o potencial de risco de empresas que actuam na Grã-Bretanha, que já vem testemunhando níveis de investimento menores por causa da incerteza a respeito da permanência do país na UE.

“Primeiro, não vamos ter chiliques por causa dos vazamentos dos ‘Panama Papers’ e das questões pessoais do primeiro-ministro britânico”, disse Chas Roy-Chowdhury, diretor de impostos da Acca, uma empresa contável global sediada em Londres   .

“Precisamos ser proporcionais e realistas em qualquer legislação nova que seja apresentada”, disse ele à Reuters.

Cameron espera dar a volta por cima depois de ser acusado de hipocrisia por perseguir sonegadores sendo que seu próprio pai havia criado um fundo offshore. Na quinta-feira passada ele se curvou à pressão e admitiu ter lucrado com a venda de suas acções do fundo em 2010, e no domingo divulgou um resumo de seu imposto de renda dos últimos seis anos. (REUTERS)

por Huw Jones, Rachel Armstrong e William James

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