A outra vida dos moradores das novas centralidades

Jardins pela centralidade do Kilamba são autênticos cartões de visita para quem passa e orgulho dos que lá vivem Muitos jovens encontraram um emprego digno e que gera o seu sustento. (Foto: Contreiras Pipa)

Manutenção mensal de um jardim chega a representar em média um investimento de 60 mil kwanzas existindo casos em que estes espaços lúdicos e decorativos custaram num só ano cerca de um milhão.

À volta dos edifícios gigantes, construídos, nos últimos anos, pelo Governo angolano e que deram corpo às centralidades de Sequele (Cacuaco), Vida Pacífica (Zango/ Viana) e Kilamba (Belas), todas em Luanda, nascem vários postos de trabalho, que empregam jovens e garantem o sustento de famílias e vários sonhos.

Os jardins dão outra alma à vida dos moradores ao mesmo tempo que trouxeram vários negócios agregados. A venda itnerante de plantas e o surgimento de horti e floriculturas (casas ou espa- ços que se dedicam à criação, tratamento e venda de flores e espécies de plantas) crescem pela via expressa, áreas adjacentes e interior das centralidades habitacionais.

O negócio ganhou nova dinâmica e desse “boom”, dos últimos quatro anos, há até pequenas famílias à margem do canal do Kikuxi, zona nordeste de Luanda, que se dedicam à criação de espécies de rápido crescimento e adaptáveis ao tipo climático da capital.

Ao que apurou a reportagem do JE, o custo de manutenção mensal de um jardim, na centralidade do Kilamba, chega aos 60 mil kwanzas, sendo que, em alguns casos, determinadas coordenações de condóminos tiveram de investir até cerca de um milhão no ano para esse fim.

Alfredo Manuel, jardineiro de 43 anos e pai de cinco filhos, é um dos profissionais que no Kilamba encontrou um emprego há quatro anos e ajuda a desenvolver o jardim de um dos edifícios bem referenciados. Tem 17 anos de profissão, que lhe valem a perspicácia de compreender os momentos das pragas e as necessidades de aplicação de fertilizantes ou outros insumos necessários à vida saudavél das plantas.

Como Alfredo Manuel, a vida de muitos dos cerca de 500 jardineiros que se estima existirem na centralidade do Kilamba é de muito suor no rosto, pois é dessa forma que se ganha o pão. Sobre as remunerações, o JE apurou que são pagos em média 35 mil kwanzas.

O horário de trabalho é das oito às 15 e de quando em vez fica ainda algum tempo para pequenos extras, mesmo no interior ou proximidades da cidade. João Domingos é outro jovem que recorre à máxima do cantor Carlos Burity: “O importante é trabalhar.

Não roubar e não matar, engrandecer o seu país”. Este jardineiro que encontrámos no quarteirão Hungu (um instrumento tradicional de música angolana), no edifício A13, não se exibiu e reconheceu que o resultado do que se vê numa das imagens ilustrativas é trabalho de equipa e de muitos anos a fio.

As contas feitas pela nossa equipa de reportagem apontam para uma despesa mensal de cerca de 17.500.000 kwanzas (cerca de 110 mil dólares).

Considerando a Lei das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), que classifica como micro empresas aquelas que empreguem até 10 trabalhadores e/ou tenham uma facturação bruta anual não superior em kwanzas ou equivalente a 250 mil dólares, estamos em presença de nichos de negócios que melhor aproveitados podem resultar em novas empresas, capazes de gerar renda e sustento às famílias, que também contribuam para os cofres do Estado com os devidos impostos e outros emolumentos fiscais. (jornaldeeconomia)

Por: Isaque Lourenço

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