União Europeia confirma pedido de mediação da RENAMO em Moçambique

Filipe Nyusi (esquerda) e Afonso Dhlakama (direita) (Getty Images)

Fonte diplomática comunitária confirmou à agência Lusa que houve de facto um pedido de mediação da RENAMO para a crise em Moçambique. O pedido já teria sido noticiado pelo jornal Mediafax na segunda-feira (29.02).

Federica Mogherini, alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e vice-presidente da Comissão Europeia, visitou Maputo na última semana de Fevereiro e segundo avançou o jornal Mediafax , na sua edição de segunda-feira (29.02.), houve um pedido da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana) à União Europeia para a mediação da crise política e militar que se vive em Moçambique.

Entretanto, fonte diplomática comunitária já confirmou à agência de notícias Lusa que houve de facto esse pedido por parte da RENAMO. Durante a visita, Federica Mogherini alertou que a instabilidade política em Moçambique ameaça os sucessos alcançados no país nas últimas décadas e considerou decisiva a recuperação de uma dinâmica de reconciliação.

Para além da União Europeia, a RENAMO já teria pedido mediação ao Presidente da África do Sul, Jacob Zuma e à Igreja Católica.

Governo e RENAMO: para quando o diálogo?

Filipe Nyusi, presidente de Moçambique, diz estar aberto ao diálogo com a RENAMO, mas “sem pré-condições”. No entanto, Afonso Dhlakama, líder do principal partido da oposição, manifestou esta terça-feira (01.03), em comunicado, a sua disponibilidade para negociar uma saída para a crise política em Moçambique mas relembra a condição: é necessário que a RENAMO possa tomar o poder nas seis províncias onde reclama vitória eleitoral nas últimas eleições gerais.

“A presidência da RENAMO reitera a sua disponibilidade para negociar com o Governo da FRELIMO uma solução definitiva para a actual crise político-militar, que já provocou milhares de refugiados”, pode ler-se no comunicado emitido pela RENAMO.

No mesmo documento é ainda reafirmado que “o processo de implantação da governação da RENAMO é irreversível e será implementado ainda este mês de março”. No entanto, o maior partido da oposição admite tomar medidas de forma pacífica e em resposta aos apelos populares.

O partido da oposição insiste em concretizar o seu plano de governação das províncias de Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Manica e Sofala, “apesar das incursões militares, dos raptos e assassínios de membros da RENAMO e da destruição de habitações e celeiros de cidadãos moçambicanos, principalmente nas províncias de Manica e Tete, perpetradas pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique”.

Apesar de não haver uma confirmação oficial do secretariado do Conselho de Estado, a agência de notícias Lusa avança que Filipe Nyusi terá convocado para quarta-feira (02.03) uma reunião do Conselho de Estado, o primeiro desde que tomou posse, em Janeiro de 2015.

Ainda assim, e como a reunião coincide com uma sessão de perguntas ao Governo pela Assembleia da República, poderá vir a ser adiada.

“Estamos a falhar no compromisso do Estado de Direito”

Tomás Timbane, bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, disse hoje (01.03.) em Maputo, durante o discurso de abertura do ano judicial, que o país vive um clima de guerra que já ninguém disfarça. “Os nossos corações só podem estar feridos com o clima de guerra que já ninguém disfarça. Quando um partido político se arma e combate o Estado, é sinal de que estamos a falhar no que é essencial. Estamos a falhar no compromisso com o Estado de Direito”, afirmou Tomás Timbane, referindo-se aos confrontos entre as forças de defesa e segurança moçambicanas e o braço armado da RENAMO.

O bastonário enfatizou ainda que a instabilidade em Moçambique destrói o país e atrasa as conquistas que o país foi conseguindo ao longo dos anos. (DW)

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