Restos mortais de Lúcio Lara já repousam no cemitério do Alto das Cruzes

Urna com os restos mortais de Lúcio Lara (Foto: Pedro Parente)

Os restos mortais do nacionalista angolano Lúcio Rodrigo Leite Barreto de Lara já repousam no Cemitério do Alto das Cruzes, em Luanda.

Acompanharam até a sepultura, para além do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e do seu homólogo de São Tomé e Príncipe, Pinto da Costa, os vice-presidente da República e do MPLA, respectivamente Manuel Vicente e Roberto de Almeida.

Os juizes presidentes dos tribunais Constitucional, Supremo e de Contas, membros do Executivo, Deputados à Assembleia Nacional, antigos combatentes, entidades religiosas, entre outras personalidades também acompanharam.

Antes da descida da urna à sepultura, o vice-presidente do MPLA fez a leitura do elogio fúnebre.

Lúcio Rodrigo Leite Barreto de Lara, também conhecido por TchiweKa, casado, filho de Lúcio Gouveia Barreto de Lara e de Clementina Leite de Lara, nasceu aos 9 de Abril de 1929, no Município da Caala, Província do Huambo.

Fez os estudos primários e secundários no Lubango, capital da província da Huila, e a licenciatura, em ciências Físico-Químicas, na universitário de Coimbra, Portugal.

Em 1951 prestou serviço militar em Portugal, não concluindo por doença.

Em 1959, foi professor secundário em Portugal e na Guiné-Conacry nas disciplinas de matemática, física e química.

Participou em actividades patrióticas a partir de 1949, enquadrado na antiga “Casa dos Estudantes do Império”, de que foi membro em Coimbra, sob a presidência do fundador da nação angolana, António Agostinho Neto, com quem também formou o primeiro núcleo clandestino, antes da fundação do MPLA.

Foi co-fundador do Club Marítimo Africano, conjuntamente com Agostinho Neto, Humberto Machado, Zito Van Dúnem e outros patriotas angolanos e de outras colónias portuguesas.

Co-fundador do Movimento Anti-Colonialista (MAC), precursor do MPLA que agrupou patriotas de todas as colónias portuguesas de então, nomeadamente Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Noémia de Sousa, Mário Pinto de Andrade.

Co-fundador do MPLA, em 1956, realizou várias missões no sentido de coordenar as actividades em Angola, Portugal e França.

Procurado pela PIDE, foge de Portugal em Março de 1959, passando sucessivamente pela então Republicas Federal Alemã (RFA) e Democrática Alemã (RDA), aguardando possibilidade de se instalar em Accra, mantendo aí contactos com o Centro de Libertação Africano.

Lúcio Lara participou no 2º Congresso dos Escritores e Artistas Negros, em Abril de 1959 em Roma, estabelecendo contactos com o FNL argelino, através de Franz Fanon, com quem planifica a preparação do primeiro grupo de guerrilha angolano.

Em Janeiro de 1960, chefia a delegação do MAC à Conferencia Panafricana de Túnis, onde consegue autorização para o MPLA e o PAIGC instalarem os primeiros escritórios no exterior, na Guiné – Conakry, para onde segue depois de uma passagem por Casablanca, a convite de Mahjoub Seddick, Líder da União Marroquina do Trabalho,

Integra em Conacry o primeiro Comité Director do MPLA, em 1960, como responsável da Organização e Quadros.

Em Conacry Accra, Rabat e Alger participa em diferentes em actividades relacionadas com a luta de libertação, tendo sido enviado a Brazzaville para contactos com Manuel Pedro Pacavira, enviado do Presidente Neto, em Maio de 1960.

Participou na Iª Guerra de Libertação, em Cabinda e Cuango (3ª Região), na Luta Clandestina, em Lisboa, em 1954, e 1958, frequentou um estágio militar especial, em Moscovo.

Director até entrar no 1º Comité Central e 1º Bureau Político; Foi Deputado a Assembleia do Povo; Deputado a Assembleia Nacional.

Participou em todos os Congressos do MPLA e na Conferência Nacional do MPLA em Leopoldville, República Democrática do Congo (RDC), em 1962.

Em 2006 foi homenageado pela família MPLA.

Foi membro do Comité Central e do Bureau Político do MPLA e Deputado das Assembleias do Povo e Nacional. (ANGOP)

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