PSD escolhe Passos Coelho para líder pela quarta vez

(Miguel Baltazar/Negócios)

Passos Coelho é reconduzido este sábado como líder dos sociais-democratas, numa eleição com candidato único. O presidente do partido chega às eleições como líder da oposição, apesar de ter vencido as legislativas. Este mês torna-se no segundo líder do PSD com mandato mais longo.

Os militantes sociais-democratas escolhem este sábado, 5 de Março, o presidente do partido, através de eleições directas, em relação às quais o resultado já é conhecido. Pedro Passos Coelho, candidato único na corrida, vai ser reconduzido como presidente do partido, tornando-se no segundo presidente com mandato seguido mais longo da história do PSD, só ultrapassado por Cavaco Silva.

Esta é a quarta eleição de Passos Coelho como líder do PSD. A primeira vez que foi a votos foi a 26 de Março de 2010, quando concorreu contra Paulo Rangel, José Pedro Aguiar Branco e Castanheira de Barros. Com a eleição deste sábado, Passos Coelho acumula seis anos à frente da presidência do PSD, o segundo líder do partido com maior longevidade no cargo, uma marca só ultrapassada por Aníbal Cavaco Silva, que esteve à frente do partido por dez anos, entre 1985 e 1995.

Nas directas que acontecem hoje têm possibilidade de votar 50.491 militantes sociais-democratas, mais 8,7% do que nas últimas eleições internas do partido. Apesar da subida, este é ainda o segundo pior registo de militantes do PSD com capacidade de voto desde que o partido começou a fazer directas, em 2006.

Em 2014, apenas 46.430 militantes tinham poder para votar – foi este o ano com o pior registo de universo de votantes -, tendo o ano de 2010 sido o melhor. Nessas eleições, as primeiras ganhas por Passos Coelho, eram 78.094 os militantes com capacidade para votar, uma eleição concorrida onde se confrontaram quatro candidatos.

A estratégia

Passos Coelho chega à eleição de hoje numa situação particular. Venceu as eleições legislativas de 4 de Outubro coligado com o CDS de Paulo Portas, conferindo ao PSD a categoria de maior partido português, mas não lidera o Governo. Depois da vitória nas legislativas, o PS – o segundo partido mais votado – conseguiu o apoio parlamentar dos partidos à esquerda, chefiando assim o Governo que conta com o suporte do Bloco de Esquerda, PCP e Verdes na Assembleia da República.

Depois de contestar a legitimidade da solução política protagonizada por António Costa, Passos Coelho optou agora por deixar a maioria parlamentar governar, dizendo-se pronto para liderar o Executivo se o Governo PS perder a base de apoio parlamentar. Mais: o líder do PS disse que não estará sempre a pedir eleições.

No entanto, o caminho de Passos Coelho depois da reeleição pode não ser fácil. Depois dos desencontros iniciais, o Governo do PS vê o Orçamento do Estado para 2016 aprovado pelos partidos à esquerda, um acontecimento histórico em Portugal, ainda para mais quando o Orçamento é restritivo. Se o próximo Orçamento, para 2017, servirá novamente de teste aos acordos entre os partidos de esquerda, também será uma prova à liderança de Passos Coelho.

A 1,2 e 3 de Abril, realiza-se o Congresso do PSD, em Espinho, para debater a estratégia do partido e consagrar o líder. (Jornal de Negocios)

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