Presidente da África do Sul novamente no olho do ciclone

O presidente Zuma teve que responder às perguntas dos deputados. (REUTERS/Mike Hutchings)

O presidente sul-africano Jacob Zuma, já fragilizado por alguns escândalos, teve hoje que prestar explicações perante os parlamentares sobre a influência que alegadamente exerce sobre ele a poderosa família de origem indiana Gupta, que nos espaço de duas décadas na África do Sul construiu um império que se estende desde o sector das minas, passando pelo ramo da informática, até aos meios de comunicação social.

O facto é que o presidente Zuma tem mantido uma relação de grande proximidade com esta família. Um dos filhos do presidente, Duduzane Zuma dirige uma empresa, Sahara Computers, pertencente a um dos membros da família Gupta e a terceira esposa de Jacob Zuma trabalha igualmente para este poderoso clã. Contudo, ontem, os questionamentos em torno do poder real dessa família tornaram-se um pouco mais agudos quando nesta quarta-feira Mcebisi Jonas, actual vice-ministro das Finanças, afirmou ter recebido por parte da família Gupta a proposta do cargo de ministro das Finanças na altura em que Nhlanhla Nene, então titular da pasta foi exonerado sem explicação em finais do ano passado. Certos meios de comunicação social afirmam igualmente que os Guptas estariam por detrás da nomeação do actual ministro das minas, Mosebenzi Zwane, acusado de defender os interesses dos próximos de Zuma.

Foi por conseguinte num contexto tenso que o Presidente da África do Sul compareceu hoje numa sessão no parlamento boicotada pela esquerda radical de Julius Malema que diz já não reconhecer Jacob Zuma como Presidente. Questionado hoje no parlamento pela Aliança Democrática, principal partido de oposição, sobre a oferta da pasta das finanças alegadamente feita pela família Gupta, Zuma apenas respondeu que “nada tem a ver com o assunto e que se “deveria fazer a pergunta aos Guptas e a Mcebisi Jonas” que lançou ontem a pedrada no charco.

Colocado sob o fogo das críticas de há uns meses para cá, o Presidente Jacob Zuma enfrentou ainda recentemente uma moção de censura da iniciativa da Aliança Democrática que o acusa de prejudicar os interesses do país por ter exonerado em Dezembro o muito conceituado ministro das Finanças Nhlanhla Nene, o que tinha provocado uma queda brutal do valor da moeda nacional. No rol dos outros escândalos que têm manchado a presidência de Jacob Zuma, a renovação da sua residência particular com 246 milhões de rands (cerca de 20 milhões de euros) oriundos do erário público também está presente no debate público. O presidente Zuma está aliás à espera de uma decisão da justiça do seu país para determinar se vai ser obrigado ou não a reembolsar uma parte dos fundos públicos que utilizou para custear as obras.

Ao referir que os dirigentes do ANC devem decidir este fim-de-semana se aceitam continuar a ser liderados pelo presidente Zuma, Thomas Hausen, professor de direito na Universidade de Pretória, considera que Jacob Zuma está a enfrentar sérios problemas que colocam em risco a sua permanência no poder. (RFI)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA