Presidência angolana no CS da ONU tem início esta terça-feira

ONU (DR)

Angola assume, a partir de hoje (1 de Março), a presidência rotativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas, dia em que será adoptado formalmente o programa provisório de trabalho para o mês.

O programa tem como destaque um debate aberto, a nível ministerial, com a participação de todos os membros das Nações Unidas, sob o tema, proposto por Angola, “Manutenção da Paz e Segurança Internacional: Prevenção e Resolução de Conflitos na Região dos Grandes Lagos”.

O debate está previsto para o dia 21 de Março e será presidido pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti, que dirigiu convites aos homólogos dos estados membros do Conselho de Segurança e da Região dos Grandes Lagos.

Ainda sob proposta de Angola, terá lugar, a 28 de Março, outro debate aberto, sob o tema “Mulheres, Paz e Segurança: O Papel das Mulheres na Prevenção e Resolução de Conflitos em África”, e uma reunião “Arria-Formula” sobre segurança alimentar, a 29 de Março, com a participação do director-geral da Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO).

As reuniões “Arria-Formula” permitem a um membro do Conselho convidar os restantes membros das Nações Unidas e especialistas em determinada área de interesse para o Conselho, para reuniões informais não vinculativas, sob temas fora da agenda do Conselho de Segurança.

O programa de Março, que permanece provisório até ao final da presidência, por ser sempre passível de mudanças, inclui a consideração de assuntos na agenda do órgão, nomeadamente a situação na República Democrática do Congo, Libéria, Líbia, Somália, Líbano, Afeganistão, Síria, Israel/Palestina, assim como a cooperação entre o Conselho de Segurança e as organizações regionais e sub-regionais, no caso vertente a União Europeia. Reserva também uma visita ao Mali, Guiné-Bissau e Senegal, na primeira semana do mês.

A presidência do Conselho de Segurança é exercida rotativamente e decorre por ordem alfabética, em inglês, dos seus membros, pelo período de um mês, pelo que os membros permanentes exercem-no mais ou menos a cada 15 meses, enquanto os não-permanentes ocupam o posto uma ou duas vezes no decurso do seu mandato de dois anos.

O papel do presidente é manter o funcionamento regular do Conselho de Segurança, dirigir os seus trabalhos, assumir a sua representação e ser seu porta-voz, sob a estrita autoridade do Conselho. Todavia, ele continua a representar o seu país e pode fazer declarações na sua capacidade nacional, desde que deixe claro, em cada situação, a condição em que se pronuncia.

O embaixador que exerce a presidência tem poderes limitados, sendo-lhe conferida certa autoridade política e moral, que, se utilizada com habilidade, pode influenciar os resultados das deliberações.

No início de cada mês, o Conselho adopta o programa de trabalho, os temas a serem debatidos, o formato das reuniões e respectivos apresentadores. A agenda obedece, basicamente, ao ciclo de mandatos para apresentação de relatórios do secretário-geral da ONU ou de entidades mandatadas pelo Conselho, renovação de mandatos de missões de paz ou de políticas especiais, ou ainda de comités de sanções.

Assessoriamente, o país que exerce a presidência, promove a inscrição no programa mensal de uma ou mais questões temáticas que correspondam aos seus interesses nacionais específicos. Caso se revele necessário, e a pedido dos membros, o presidente pode convocar reuniões de emergência do Conselho de Segurança.

Após a adopção do programa de trabalho para o mês, o presidente apresenta-o ao conjunto dos estados membros das Nações Unidas e à imprensa internacional.

Angola, que cumpre o seu segundo mandato no Conselho de Segurança, substituirá a Venezuela na presidência, sendo rendida pela China no mês de Abril. (ANGOP)

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