No dia em que se despede das bancas o jornal The Independent agradece aos leitores

(Negocios)

Vai estar disponível apenas no digital. O jornal britânica The Independent despede-se do formato físico com um agradecimento aos leitores.
A decisão já tinha sido comunicada. Este sábado, 26 de Março, marca a última edição em papel do jornal britânico The Independent, nascido, como ele próprio assume, em plena Guerra Fria.

“Fecha-se um capítulo, abre-se outro. O espírito do THe Independent vai continuar. O nosso trabalho continua, a nossa missão perdura, a guerra ainda soa e o sonho dos nossos fundador nunca morrerá”. E assim termina o editorial deste sábado, intitulado: “A guerra de 30 anos”.

Se o editorial termina assim, começa, no entanto, por um pedido: “Durante 30 anos combatemos hipocrisia, ignorancia, tirania, pobreza, clichés, anganos e absurdos de celebridades. Se se interessa pelo que fizemos, junte-se a nós na luta – online”.

É no editorial que se aproveita para elogiar o percurso do The Independent, que lutou pela democracia “sem termos de fazer escutas a um único telefone”. E o ataque: “Rupert Murdoch tentou destruir-nos e sem dúvida fez-nos uma grande mossa. Mas 20 anos depois desta guerra de preços, continuamos a produzir jornalismo de alta qualidade, sem subornarmos agentes públicos, sem tornarmos bandidos os polícias ou sem acelerar o aviltamento do país através de objectivas de ‘paparazzi'”. É uma luta editorial contra os tablóides. “Hoje em dia, a verdade está novamente fora de moda. A línguagem política está a ser cada vez mais utilizada para confundir e conflituar. As campanhas e os relações públicas do poder político e económico espalham, vergonhosamente, decepção como nunca o fizeram”.

Na busca da verdade é o que o The Independent diz ser a sua missão. “Antes apenas um jornal, agora publicamos em várias plataformas digitais – internet, móvel, tablet – e temos a maior audiência de sempre. É por isso que o The Independent, longe de fechar, está a mudar. Com a história ao nosso lado, e ambição global, convidamos-vos a juntarem-se a nós online em independent.co.uk, ou via The Independent Daily Edition no tablet e no móvel”.

O presidente do conselho de administração do jornal endereça também uma mensagem aos leitores.

Evgeny Lebedev dizendo que é um novo capítulo que se abre, agradece aos leitores. “Há seis anos a minha família comprou um dos maiores títulos da história dos media. No entanto, estava a perder 25 milhões de libras por ano. E em cada dia a sua audiência era de apenas 100 mil leitores na edição impressa e menos de meio milhão online. Muito mudou”. “Hoje o nosso jornalismo alcança 400 mil leitores na versão impressa e temos cerca de três milhões online”.

Com cerca de 60 mil exemplares vendidos por dia, incluindo 40 mil assinantes, o The Independent, criado em 1986, é o diário nacional com menos vendas no Reino Unido, atrás dos tabloides The Sun ou Daily Mail e de outros jornais como o The Times, Guardian ou Daily Telegraph.

No seu melhor ano, 1989, a circulação paga do The Independent chegou a ultrapassar os 420 mil exemplares.

O grupo do jornal (ESI Media) também confirmou a venda, sujeita à aprovação dos acionistas, do título “i”, uma versão mais leve do diário The Independent.

O título será vendido ao grupo Johnston Press, que também deverá acolher “um número significativo de trabalhadores” do jornal The Independent.

A venda deverá envolver um montante de 25 milhões de libras (cerca de 32 milhões de euros), segundo noticiaram os ‘media’ britânicos.

“Vão existir algumas demissões entre a equipa editorial”, admitiu o grupo ESI Media. Cerca de 150 pessoas trabalhavam para o The Independent.

Actualmente, a página online do jornal, com cerca de 70 milhões de visitantes únicos por mês, já é rentável e antevê um aumento de receitas de cerca de 50% para o ano corrente.

Na última edição impressa, especial, que inclui quatro revistas especiais que olham para os 30 anos da sua história, o The Independent vem envolva numa capa onde se lê “stop press”. (Jornal de Negocios)

com Lusa

(DR)
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