Na Paulista, palavra de ordem foi “lutar contra golpe”

(DW)

Ato em São Paulo concentrou o maior número de manifestantes. Durante discurso, Lula diz que vai “ajudar Dilma” e é chamado de “guerreiro”. Apoiadores do governo protestaram quase todas as capitais e no exterior.

Milhares de manifestantes foram às ruas em atos pró-governo nesta sexta-feira (18/03) em quase todas as capitais. A maior concentração ocorreu na avenida Paulista, em São Paulo, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou aos militantes, em meio a gritos de “Não vai ter golpe”.

“Eu vim para ajudar a Dilma a fazer o que tem que ser feito. Esse país tem que voltar a crescer, tem que voltar a entender que democracia é a convivência na diversidade”, afirmou em meio aplausos e euforia. Em clima de comício, os manifestantes gritavam “Lula, guerreiro do povo brasileiro”.

Segundo a Polícia Militar, 80 mil pessoas participaram na manifestação. Do carro de som, os organizadores disseram que eram mais de 250 mil participantes. De acordo com o Instituto Datafolha, a estimativa de público é de 95 mil pessoas.

A todo momento, os manifestantes vestidos de vermelho gritavam “Não vai ter golpe, vai ter luta”. Em meio a faixas e balões de centrais sindicais, um militante erguia um boneco do juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. Uma placa comparava o magistrado, que autorizou a divulgação de grampos telefônicos de Lula, a Judas.

“O Lula só vai ser culpado quando for julgado e condenado. Cunha é réu e está lá como presidente da Câmara”, afirma Lucas Ambrósio, de 25 anos, que veio de São José dos Campos, no interior de São Paulo, para se juntar ao ato.

Como estudante de história, ele vê “vários paralelos entre hoje e 64”, numa alusão ao Golpe Militar. “A mídia apoiando, a direita nas ruas, o conservadorismo cada vez maior”, afirma. “É um golpe, porque eles estão ignorando os milhares de brasileiros que votaram nela [Dilma Rousseff].”

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, um dos organizadores do ato, disse que Lula é alvo de “linchamento”. “Muitos aqui neste protesto estão insatisfeitos com o governo, mas a principal questão em jogo neste momento é assegurar as garantias constituciuonais”, afirmou.

Atritos

Moradores de prédios na avenida Paulista e arredores fizeram um panelaço contra a manifestação. Aglomerados em frente à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), apoiadores do governo fizeram xingamentos contra o governador do estado, Geraldo Alckmin, do PSDB.

Diante de confrontos isolados entre manifestantes pró-Dilma e os favoráveis à saída da presidente, a socióloga argentina Cecília Ipar quis trazer ao protesto uma mensagem de tolerância. Nos protestos pró-impeachment de quinta-feira na avenida Paulista, alguns apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) foram agredidos.

“Queria dizer que estamos aqui com uma mensagem política, não de ódio. Isso é um recado para a manifestação de ontem, em que algumas pessoas espancaram um adolescente”, disse.

Ao contrário dos protestos contra o governo em que a presença da polícia era comemorada, os participantes do protesto desta sexta na Paulista vaiaram a passagem de um helicóptero da Polícia Militar.

Um dia depois de milhares de pessoas terem ido às ruas em todo o país exigir o impeachment de Dilma, atos pró-governo ocorreram em várias capitais como Salvador, Curitiba, Belém e Belo Horizonte. No Rio de Janeiro, os manifestantes se reuniram no centro da capital. Muitos chamavam Moro de “ditador”. Em Brasília, manifestantes aglomerados na Esplanada dos Ministérios cantaram o hino nacional.

Brasileiros também se reuniram em atos pró-governo no exterior. Em Berlim, manifestantes carregavam faixas com as mensagens “Não à extrema direita na Alemanha ou no Brasil” e “Não confie na mídia brasileira”. Grupos também se manifestaram em Lisboa, Paris, Nova York e Londres. (DW)

KG/rtr/Abr/ots

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