Moody’s revê ‘rating’ de Moçambique para B3 e avisa que pode descer ainda mais

(Foto: D.R.)

A agência de notação financeira Moody’s desceu o ‘rating’ de Moçambique de B2 para B3, avisando que pode descer ainda mais a avaliação que faz da qualidade do crédito soberano do país.

“O principal fator para esta revisão em baixa do ‘rating’ de Moçambique é a posição da balança de pagamentos, que está a deteriorar-se, e a reduzida capacidade para o Governo pagar a dívida, como é comprovada pela descida do nível de reservas em moeda estrangeira do Banco de Moçambique e pela decisão de propor uma reestruturação da dívida”, lê-se na nota enviada aos investidores.

No documento, a Moody’s alerta ainda que o ‘rating’ continua em avaliação com uma perspetiva de evolução negativa enquanto os analistas “avaliam as implicações da proposta de troca de dívida da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum)”, apresentada no dia 09 deste mês, e que prevê, na prática, uma redução de 20% nos pagamentos aos credores e uma extensão das maturidades dos investimentos de 2020 para 2023.

A Moody’s acredita que as reservas em moeda estrangeira, que atingiram o pico de 3,2 mil milhões de dólares em agosto de 2014 e encolheram para 2,3 mil milhões no final do ano passado, “vão continuar a cair em 2016 mesmo com a disponibilização de 165 milhões de dólares” por parte do Fundo Monetário Internacional, no âmbito de um empréstimo de 285 milhões de dólares contraído no ano passado.

Dificultando ainda mais as finanças públicas moçambicanas, a Moody’s lembra que o setor do Gás Natural Liquefeito está também a passar por dificuldades, o que aliás levou a agência a descer o ‘rating’ da norte-americana Anadarko, uma das principais investidoras no país, “o que deverá afetar os seus planos de investimento em Moçambique, pelo menos a curto prazo”.

Mesmo reconhecendo os passos positivos no capítulo da implementação de políticas económicas corretas, ao abrigo do programa de ajuda do FMI, a Moody’s diz, no entanto, que “apesar destas iniciativas políticas apoiarem um ajustamento na balança de pagamentos, na ausência de uma disponibilidade de liquidez externa, as pressões sobre a balança de pagamentos mantêm-se devido ao ambiente externo particularmente adverso”.

(observador)

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