Moçambique: PR moçambicano exige a novo comandante da polícia mais vigor na consolidação da paz

Militares moçambicanos feridos em confrontos com a Renamo Foto: Lusa/DR

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, exigiu hoje ao novo comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM), Júlio dos Santos Jane, mais vigor no combate ao crime e na consolidação da paz.

“Enfrentamos desafios de particular relevância no âmbito da ordem, segurança e tranquilidade públicas e que irão recorrer de si e da corporação uma postura mais vigorosa na prevenção e combate ao crime e na consolidação da paz, numa fase em que é beliscada e isso preocupa todos os moçambicanos”, declarou Filipe Nyusi, no ato de posse do novo comandante da PRM.

Numa cerimónia realizada no comando da Unidade de Intervenção Rápida, uma força especial da polícia moçambicana, o Presidente da República referiu-se à “restruturação da PRM”, de modo a torná-la mais dinâmica, e também à necessidade de maior concentração na agenda nacional.

“O cidadão deve encontrar em vós a garantia de que a lei é cumprida, que os seus direitos e liberdades estão protegidos, que as nossas fronteiras não são permeáveis e que as nossas florestas e a nossa fauna não serão delapidadas”, afirmou.

Na prática, prosseguiu Filipe Nyusi, o novo comandante-geral “vai dirigir a defesa do carvão, do gás, das florestas, da água, dos solos, do clima, recursos naturais em geral, mas antes de tudo vai defender o moçambicano e todos aqueles que vivem em Moçambique”.

Deixando palavras de reconhecimento ao comandante cessante, Jorge Khalau, “um homem que se entregou de corpo e alma ao combate sem tréguas ao crime organizado e fortalecimento da capacidade da intervenção policial”, o Presidente moçambicano pediu ao sucessor atenção aos crimes violentos, como os raptos e sequestros, assassínios de albinos e tráfico de pessoas e órgãos humanos.

Jorge Khalau era comandante da PRM há mais de sete anos e abandona o cargo numa fase em que a polícia é visada pela incapacidade em conter a criminalidade organizada, a corrupção entre os seus agentes e de solucionar alguns dos crimes mais mediáticos que atingiram o país nos últimos anos.

A substituição surge igualmente num momento de agravamento da crise política e militar entre as forças de defesa e segurança e o braço armado da oposição da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), que ameaça tomar pela força as seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.

Após a posse, Júlio dos Santos Jane assegurou que “as forças policiais vão continuar a defender os moçambicanos, os bens e a integridade pública do país”, e a dar continuidade ao trabalho do comandante cessante, tendo como principal desafio a manutenção da ordem e o combate à criminalidade organizada em todas as suas formas de manifestação.

Júlio dos Santos Jane era comandante do Serviço Cívico de Moçambique, uma entidade subordinada ao Ministério da Defesa, antes de ser nomeado para comandante-geral da PRM.

Militares feridos em confronto com a Renamo

Militares das forças governamentais moçambicanas ficaram hoje feridos em confrontos com homens armados da Renamo em Honde, distrito de Barue, província de Manica, disseram hoje à Lusa vários moradores.

Um contingente das forças estatais foi metralhado quando tentava aproximar-se de uma posição dos homens armados da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) aquartelados próximo da N7, a estrada que liga, no centro de Moçambique, os países interiores ao oceano indico.

“Eram quase 09:00 [menos duas em Portugal] quando os militares do Governo entraram em Honde, e foram até onde estão os militares da Renamo e começou a haver disparos. Muitos militares do governo saíram feridos e foram em direção a Chimoio”, contou à Lusa por telefone um morador na região, sem precisar a quantidade de feridos ou a existência de baixas entre os guardas da oposição. (Agência Lusa)

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