Marcelo Rebelo de Sousa diz que não vai discriminar economicamente a CPLP

Tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa (REUTERS)

No seu discurso de tomada de posse, esta quarta-feira (09.03.), em Lisboa, o novo Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, deixou claro que o seu país tem de ser fiel aos compromissos a que se vinculou.

A presença do presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Junker, entre os convidados para a tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, pode ser um indicador da importância que Portugal vai continuar a dar às relações com os parceiros europeus.

Durante o discurso, o empossado chefe de Estado português destacou, como um dos vetores da política externa os compromissos com a União Europeia, mas também as relações com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Os desafios dos refugiados na Europa, da não discriminação económica e financeira na CPLP e das fronteiras da Aliança Atlântica, são apenas três exemplos, de entre muitos, de questões prementes, mesmo se incómodas”, garantiu o novo Presidente.

Cavalo Silva congratula Marcelo Rebelo de Sousa durante a cerimónia da tomada de posse (REUTERS)
Cavalo Silva congratula Marcelo Rebelo de Sousa durante a cerimónia da tomada de posse (REUTERS)

Rebelo de Sousa é apontado por analistas como um homem hábil, conhecedor dos atores políticos em vários espaços geográficos. Esta é uma nota importante a seu favor no que diz respeito às relações internacionais, nomeadamente com a Alemanha e a CDU (União Democrata-Cristã) da chanceler Angela Merkel.

David Dinis, diretor da Rádio TSF, explica: ” olhando para o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, mas sobretudo olhando para o passado, é muito fácil perceber que ele procurará muito rapidamente estabelecer pontes com os vários atores políticos de cada um dos países e com a Comissão Europeia, que é evidentemente central nas relações externas portuguesas”.

O analista acrescenta ainda que “esta não será uma missão muito fácil, mas será um chefe de Estado muito dialogante para evitar riscos, podendo ser uma âncora para o primeiro-ministro António Costa”. O mesmo se aplica para os países lusófonos, explica.

Marcelo tem uma forte relação com todos os PALOP

“Marcelo tem uma forte relação com todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Mesmo como líder do PSD era muito pródigo em fazer-se ao caminho, ia visitar os países. Aliás, vimos o Presidente de Moçambique que foi seu convidado especial na cerimónia de posse. Marcelo estará muito atento, há muitos problemas em vários dos países de língua portuguesa. São problemas de natureza muito diferentes uns dos outros, mas seguramente este é um Presidente muito atento à realidade no terreno de cada um dos países, não só aquela realidade mediática que nós conhecemos”, garante David Dinis.

Filipe Nyusi (esquerda) e Marcelo Rebelo de Sousa (direita) (Atlantic Press)
Filipe Nyusi (esquerda) e Marcelo Rebelo de Sousa (direita) (Atlantic Press)

No entanto, de acordo com o semanário português Sol, Angola, Brasil e Moçambique não querem que Portugal ocupe o cargo de Secretário Executivo da organização, na cimeira da CPLP que vai ter lugar em julho.

Segundo Augusto Santos Silva, chefe da diplomacia portuguesa em declarações à DW África, depreende-se que Lisboa não está disposta a abdicar da presidência rotativa do Secretariado Executivo da CPLP, sediada na capital portuguesa.

“E esse é um ponto muito claro. Portugal não tem nenhuma pretensão a ter nenhum estatuto na CPLP que não seja um estatuto de igual entre iguais. E nesse sentido, o que Portugal faz juntamente com os outros Estados membros é dar os seus contributos para decisões que têm que ser tomadas por consenso”, explica Augusto Santos Silva.

O Governo português ainda não formalizou a candidatura. São Tomé e Príncipe também está interessado no posto até aqui ocupado pelo diplomata moçambicano, Murade Murargy.

O chefe da diplomacia portuguesa tem reiterado, desde que assumiu o cargo, que a CPLP é uma prioridade de primeiro plano para o executivo liderado por António Costa. Certamente que o assunto não deve passar à margem das conversas bilaterais, em atos oficiais e privados que Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa tiveram ao longo destes dois dias com o chefe de Estado moçambicano, Filipe Jacinto Nyusi.

Segundo os analistas, o tema estará forçosamente em cima da mesa no Conselho de Ministros da CPLP, previsto para 17 deste mês na capital portuguesa.

Filipe Nyusi (no meio), na tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa (Picture Aliance)
Filipe Nyusi (no meio), na tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa (Picture Aliance)

Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito a 24 de janeiro deste ano com 52% dos votos, tornando-se o quinto Presidente da República portuguesa desde o 25 de Abril de 1974.

O professor e comentador televisivo sucede a Cavaco Silva, que ocupou o cargo entre 2006 e 2016. (DW)

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