Lula contra-ataca e denuncia intimidação judicial e midiática

(AFP)

Advogados do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva impetraram, junto com um grupo de seis juristas, um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal contra a decisão de Gilmar Mendes, que impede sua nomeação. O Instituto Lula condenou campanha judicial e midiática que estaria em curso para intimidar o ex-presidente.

O ministro do STF Gilmar Mendes decidiu na sexta-feira suspender a nomeação de Lula ao cargo de ministro do governo de sua sucessora, por suspeitar que a posse se trata de uma manobra do governo de Dilma Rousseff para dar ao ex-presidente o foro privilegiado.

O Instituto Lula atacou a decisão e ressaltou que Lula foi vítima de “uma série de arbitrariedades praticadas pela 13a. Vara Federal Criminal de Curitiba”.

“Lula não é acusado de nenhum crime, mesmo após a verdadeira devassa e às intimidações a foi submetido nos últimos meses”, afirma o instituto em comunicado.

O Instituto Lula rejeitou as acusações e afirmou que o ex-presidente tem sido exposto a um “massacre midiático”.

“Tudo o que Lula quer é contribuir, de todas as formas, com o governo da presidenta Dilma Rousseff, para que o Brasil volte a crescer e gerar empregos, num ambiente de paz, estabilidade e confiança no futuro”, diz o comunicado.

Em meio a uma forte recessão, a um enorme escândalo de corrupção, a grandes protestos nas ruas e ao processo de impeachment, especula-se se a presidente Dilma Rousseff chegará ao fim de seu segundo mandato.

Sua decisão de nomear Lula ministro da Casa Civil gerou indignação e cerca de 50 limiares foram apresentadas na justiça para suspender o efeito da sua posse.

Na sexta-feira ministro do STF Gilmar Mendes decidiu suspender a nomeação de Lula ao cargo de ministro do governo de sua sucessora, por suspeitar que a posse se trata de uma manobra do governo de Dilma Rousseff para dar ao ex-presidente o foro privilegiado.

Além disso, Gilmar Mendes resolveu devolver as investigações sobre Lula ao juiz de primeira instância Sergio Moro, responsabilizado pelo instituto por grande parte dos abusos denunciados.

Até que a mais alta corte do país se pronuncie sobre a questão, Lula corre o risco de ter sua prisão preventiva decretada pelo juiz federal Sérgio Moro.

O STF, que se encontra em recesso, não deve se pronunciar até o dia 30 de março.

Moro, juiz responsável pelo caso da Lava Jato, causou alvoroço na semana passada ao liberar para a imprensa o áudio da conversa telefônica entre Dilma e Lula, sugerindo que sua nomeação foi uma estratégia para evitar a prisão preventiva do ex-presidente.

Lula nega a acusação e diz que a oposição quer dar um golpe no governo.

– Impeachment ganhando força? –

Paralelamente ao escândalo por corrupção, Dilma enfrenta um processo de impeachment no Congresso, sob a acusação de ter manipulado as contas do governo em 2014 durante a sua campanha de reeleição e em 2015 para mascarar a forte recessão.

De acordo com a pesquisa realizada pela consultora Arko Advice e publicada neste domingo pelo jornal O Dia, 32 integrantes desta comissão apoiam o impeachment, 31 o rejeitam e 2 permanecem indecisos.

Segundo outra pesquisa da mesma consultora, realizada entre 15 e 17 de março com uma amostra de 100 deputados de 23 partidos políticos, “62% acreditam que a Câmara aprovará um impeachment”, mais que o dobro em fevereiro (24,5%). “Em apenas três semanas, o resultado quase triplicou”, destacou Murillo Aragão em entrevista ao jornal.

A postura favorável ao impeachment avança também na opinião pública. Uma pesquisa do Datafolha publicada no sábado indica que 68% dos brasileiros querem que Dilma seja destituída, frente a 60% de um mês atrás.

A Comissão de 65 deputados submeterá seu parecer depois de 15 sessões parlamentares plenárias, a primeira das quais foi realizada na sexta-feira.

Uma recomendação favorável a um processo de impeachment deve ser aprovada por dois terços da Câmara (342 de 513 deputados) e, se ocorrer, ratificada por maioria simples do Senado (de 81 cadeiras).

Neste caso, Dilma seria afastada automaticamente de seu cargo por um prazo máximo de 180 dias. E sua destituição definitiva ocorre com a votação do Senado ao final de todo o processo, desta vez por maioria de dois terços (54 senadores). (AFP)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA