Lula assume ministério da Casa Civil

Lula, na casa onde vive, em São Bernardo do Campo. (PAULO WHITAKER REUTERS)

Ex-presidente Lula da Silva só poderá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Depois de dias de expectativa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi anunciado nesta quarta como o novo ministro da Casa Civil da gestão Dilma Rousseff, no lugar do petista Jaques Wagner. A volta a Brasília de Lula é interpretada como a última cartada do ex-mandatário para tentar salvar Rousseff do impeachment enquanto se põe fora do alcance de Sérgio Moro, juiz responsável pela Operação Lava Jato que concentra as investigações contra ele. Ao assumir um cargo no primeiro escalão, Lula automaticamente ganha foro privilegiado e só pode ser réu no Supremo Tribunal Federal.

O objetivo da presidenta era anunciar seu antecessor na pasta, com status de ministério, ainda na terça-feira, mas o tumulto político causado pela homologação da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) acabou alterando a programação. Entre seus assessores a conclusão foi que a notícia da nomeação de Lula ficaria em segundo plano, levando em conta as revelações feitas pelo senador, um ex-aliado que foi abandonado assim que foi preso na operação Lava Jato, tragaram a gestão federal para o centro do escândalo de desvios da Petrobras.

Ainda na noite de terça, Rousseff teve um jantar com Lula na residência oficial da presidente, o Palácio da Alvorada para acertar os últimos detalhes. Segundo fontes ligadas à Presidência, Dilma também queria conversar com Lula para “delimitar” o campo de atuação de cada um neste inédito arranjo com dois “presidentes” no palácio _ o ministro da Casa Civil equivale quase a um primeiro ministro.

Seja como for, a presença de Lula de volta na capital federal é interpretada como um sinal de enfraquecimento de Dilma Rousseff, que aceitou se expor como tutelada pelo mentor. A esperança dos auxiliares e aliados é que o ex-presidente empreste o que resta de seu capital político para tentar conter a debandada de aliados do PMDB, centrais na batalha do impeachment. Mas alguns observadores que transitam pelo Planalto que se trata de um tiro no pé e a entrada de Lula pode unir ainda mais o partido pela destituição da presidenta. (EL PAIS)

por Afonso Benites

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