Lula aposta em “coalizão” com parte do PMDB contra impeachment

(DPA)

Às vésperas de reunião que pode selar saída do partido da base aliada, ex-presidente diz que pode buscar aliança “sem a concordância da direção”. Ele critica Sergio Moro: “É inteligente, mas foi picado pela mosca azul”.

Em entrevista à mídia internacional nesta segunda-feira (28/03), o ex-presidente Lula disse ver com “certa tristeza” a possibilidade de o PMDB deixar a base aliada do governo. Para ele, no entanto, ainda é possível um acordo que mantenha parte da legenda, a maior da base de apoio à Dilma Rousseff, alinhada ao Palácio do Planalto.

As declarações ocorrem às vésperas da reunião do diretório nacional do PMDB, que discutirá se a legenda vai desembarcar ou não do governo. Segundo Lula, o governo poderá buscar uma coalizão com parte do PMDB para ajudar a barrar o impeachment contra Dilma.

“Acho que vai acontecer o que aconteceu em 2003. O governo vai construir uma base parlamentar com o PMDB e vamos ter uma espécie de coalizão sem a concordância da direção”, afirmou. “Quando ganhei as eleições, em 2003, em um primeiro momento o PMDB não me apoiou. Mas uma parte da legenda no Senado me apoiava e nós conseguimos governar.”

Segundo o ex-presidente, no segundo mandato houve um acordo com a legenda e, teoricamente, o partido decidiu apoiá-lo. “Ainda assim a gente nunca teve todo o apoio de todo o PMDB. Em vários estados o partido não quis apoiar o governo”, frisou. Para ele, caso a legenda saia do governo Dilma, “os ministros não deixarão o governo”.

A entrevista foi dada a 24 correspondentes de veículos estrangeiros como New York Times, El País e de agências de notícias como Reuters, AP, Efe e France Presse.

Críticas a Moro

Lula também falou sobre o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato. O ex-presidente afirmou que o magistrado “é inteligente e competente, mas foi picado pela mosca azul”. A expressão se refere a pessoas deslumbradas com o poder.

O ex-presidente disse que a divulgação de suas conversas com Dilma Rousseff, aliados e familiares como uma situação “deprimente, pobre e de má fé”.

“O juiz, por mais que seja juiz, não foi correto ao fazer a divulgação de coisas privadas. Não contribui com a democracia”, frisou. “Quero ter o mesmo tratamento que todo mundo. O excesso pode levá-lo a cometer erros. O juiz deve ser respeitado por todos, não pode ter um lado.”

Em defesa de Dilma

Na entrevista, Lula voltou a defender Dilma e criticou os apoiadores do impeachment da presidente. “Impeachment sem base legal, sem crime de responsabilidade, é golpe”, afirmou aos jornalistas. “É muito importante não brincar com a democracia.”

Os críticos do pedido de impedimento da presidente dizem que as manobras fiscais, conhecidas como “pedaladas”, não são o bastante para configurar crime de responsabilidade. Lula acusou também a oposição de impedir que a presidente governe e a mídia de criar um clima de ódio no país, que ele comparou com a situação vivida na Venezuela.

Lula, que ainda não pode assumir como ministro da Casa Civil por conta de uma batalha judicial, afirmou que quer participar das decisões do governo da presidente, mesmo que seja na condição de conselheiro. Ele disse ter convicção de que pode contribuir com o Brasil e acredita ser possível mudar o humor do país em poucos meses.

Ele afirmou também que o governo federal precisa fazer desonerações e adotar outras medidas para que a economia brasileira possa voltar a crescer, apostando no potencial do mercado interno do país. (DW)

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