Estado coloca mais dívida que o previsto, mas deixou de ter juros negativos (act)

(Bruno Simão/Negócios)

O Estado colocou 443 milhões de euros em títulos a seis meses e 1.285 milhões em bilhetes do Tesouro a 12 meses. Mas já não conseguiu juros negativos no financiamento de curto prazo.

Portugal encaixou 1.728 milhões de euros em dívida de curto prazo, segundo dados da Bloomberg, nos leilões desta quarta-feira, 16 de Março. Na primeira operação de financiamento após o anúncio do BCE de novas medidas de estímulo, o Estado conseguiu colocar mais que o pretendido, mas deixou de beneficiar de juros negativos. Antes da operação, o IGCP apontava para um encaixe de entre 1,25 mil milhões e 1,5 mil milhões de euros.

Ainda assim, as taxas ficaram muito próximas de zero. Filipe Silva, director da gestão de activos do Banco Carregosa, considera que “emitir a taxas próximas de zero, para um país que tem problemas estruturais na sua economia é de aproveitar. Daí que se compreenda que o montante de dívida emitida até tenha sido superior ao previsto”.

Na maturidade a seis meses, o Estado colocou 443 milhões de euros, com uma taxa média ponderada de 0,009%. Na última operação comparável, realizada em Janeiro, a taxa foi de -0,013% . Já nos títulos a 12 meses, o Estado conseguiu colocar 1.285 milhões de euros, com uma taxa de 0,050%. Em Fevereiro, o Tesouro tinha pago 0,10% para colocar dívida a 11 meses e em Janeiro comprometeu-se com um juro de -0,001% para colocar bilhetes do Tesouro a 12 meses.

“Enquanto nos 12 meses o custo da nossa dívida baixou ligeiramente, nos seis meses subiu também muito pouco. Mas o essencial é que Portugal continua a conseguir emitir a taxas quase de zero e com níveis de procura muito razoáveis”, salienta Filipe Silva. No prazo a seis meses, a procura foi mais do dobro da oferta. Já nos títulos a 12 meses, a procura excedeu a oferta em 1,38 vezes.

O responsável do Banco Carregosa afirma que “sempre que a República Portuguesa consiga fazer o rollover da dívida a taxas muito baixas é sempre de saudar”. Filipe Silva constata ainda que “continuamos a beneficiar da protecção do BCE que agora, além de comprar divida soberana, passou a comprar também dívida de empresas não bancárias. ”

A operação de financiamento de curto prazo ocorre após o IGCP ter realizado um leilão de dívida de longo prazo há uma semana que permitiu um encaixe de 1,25 mil milhões de euros. Colocou, na altura, 621 milhões de euros em obrigações do Tesouro a dez anos, com uma taxa de 3,138%, e 594 milhões a cinco anos, com um juro de 2,0326%. (Jornal de Negocios)

por Rui Barroso

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