Em português de cá ou de lá a palavra é crise

A queda abrupta e duradoura do preço das matérias-primas é o pano de fundo para a crise económica vivida em dois dos principais países da Lusofonia: Brasil e Angola.

Mas a excessiva dependência económica face às “commodities”, para citar o jargão do mercado, não explicam tudo. Não explicam a crise de valores e o défice democrática no regime angolano, não explicam a profunda crise de regime no Brasil, nem o ressurgimento do risco de luta armada em partes do seu território de Moçambique.

A necessidade de diversificação económica e de reformas não é, por isso, o único desafio para muitos países de língua portuguesa – o desafio é de melhoria das suas instituições. Esta melhoria passa em alguns casos pela criação de uma democracia onde ela não existe, noutros de aperfeiçoamento de democracias ainda muito jovens ou não totalmente maduras (como a portuguesa).

É como Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ontem a propósito do clube pouco prestigiado que é a CPLP: “do ponto de vista político [da CPLP], o caminho para a democracia é um ponto fundamental”. A crise económica já roubou mais de mil milhões em exportações só para Angola e Brasil no ano passado. Mas a crise de valores e de regime tem impacto maior a prazo – impede a transformação económica e cria instabilidade. Serão “dores de crescimento”? Um optimista ou alguém com interesses dirá que sim – um realista tem direito ao cepticismo. (diarioeconomico)

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