Dois suspeitos foragidos após operação antiterrorista em Bruxelas

(AFP)

A polícia belga buscava activamente dois suspeitos que fugiram nesta terça-feira de uma operação lançada no âmbito da investigação pelos atentados de Paris, na qual foram encontrados uma bandeira do Estado Islâmico e um kalashnikov junto ao corpo de um argelino morto pelas forças especiais.

“As operações da polícia prosseguem”, declarou na manhã desta quarta-feira o primeiro-ministro belga, Charles Michel.

Em uma colectiva de imprensa, a procuradoria federal belga disse que o argelino, morto por um franco-atirador das forças especiais “quando se preparava para atirar a partir de uma janela”, foi identificado como Mohamed Belkaid, de 35 anos, imigrante irregular sem antecedentes criminais.

“Duas pessoas (…) conseguiram fugir” de uma casa na qual seis policiais, quatro belgas e dois franceses, se preparavam para realizar buscas na terça-feira passada ao meio-dia, indicou Thierry Werts, porta-voz da procuradoria.

“Estão sendo procurados activamente”, acrescentou.

Nas buscas de terça-feira em uma casa da zona popular da comunidade de Forest, na capital belga, “assim que a porta foi aberta, ao menos duas pessoas armadas com uma escopeta e uma kalashnikov dispararam imediatamente contra a polícia”, relatou.

“Ocorreu um tiroteio breve, mas forte”, no qual três policiais ficaram feridos, incluindo uma policial francesa que participava junto a um colega também francês desta operação. “O pior foi evitado”, acrescentou.

As autoridades lançaram então uma importante operação na região. Durante as horas que se seguiram a este primeiro contacto foram disparados novos tiros a partir da casa.

Foi então que Mohamed Belkaid foi “neutralizado por um franco-atirador de elite, quando se preparava para disparar contra a polícia a partir de uma janela”.

Thierry Werts indicou que, após a primeira operação, a polícia realizou buscas em outra casa do sector, onde encontrou um fuzil kalashnikov e muitos carregadores, como os utilizados pelos atacantes de Paris, que metralharam os terraços de cafés ou a casa de espectáculos Bataclan, assim como roupas pretas.

“Outras duas buscas deram negativo”, acrescentou.

Durante a noite, a polícia deteve duas pessoas, cujo envolvimento nos fatos não foi informado, disse Werts. Uma delas foi levada a um hospital “com uma perna quebrada”. “A pessoa que a acompanhou fugiu quando a polícia local chegou” ao hospital, acrescentou.

A conexão belga

Em outra operação, “uma pessoa foi detida para ser interrogada”.

“O envolvimento destas duas pessoas está sendo estudado”, disse Werts, acrescentando que “a investigação prossegue dia e noite”.

As casas investigadas encontram-se perto da estação de trens internacionais, que unem Bruxelas a Paris, Londres, Amesterdão ou Düsseldorf.

Quatro dos nove autores dos atentados de 13 de Novembro em Paris, nos quais 130 pessoas morreram, eram belgas. Os ataques teriam sido organizados nesta capital.

Um dia após os ataques, reivindicados pelo grupo Estado Islâmico, foi perdido o rastro em Bruxelas de um dos principais suspeitos, Salah Abdeslam, cujo irmão detonou os explosivos nas ruas de Paris.

A fuga deste suspeito obrigou as autoridades belgas a elevar ao máximo o alerta terrorista, assim como a fechar os edifícios públicos e a suspender o transporte público por cinco dias, com base em uma “ameaça iminente”.

A procuradoria afirmou nesta quarta-feira que desde 14 de Novembro foram realizadas na Bélgica mais de 100 operações “em um contexto delicado”.

Em Janeiro, as autoridades belgas fizeram buscas em dois apartamentos e em uma casa utilizada por Abdeslam e por outros suspeitos antes dos ataques.

Em um dos apartamentos encontraram sinais de uma impressão digital de Abdeslam, assim como rastros do mesmo explosivo utilizado pelos terroristas de Paris e um desenho de uma pessoa utilizando um cinturão de explosivos.

As autoridades também encontraram rastros de DNA de Bilal Hadfi, outro dos atacantes.

No total, a polícia deteve 58 pessoas no âmbito destas buscas, e outras 23 relacionadas à investigação pelos atentados de Paris. Onze são acusadas por actividades terroristas e oito continuam em prisão preventiva. (AFP)

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