Diversificar: Produção e financiamento

JOSÉ RODRIGUES ALENTEJO Director da Câmara de Comércio e Indústria de Angola (Foto: Vigas da Purificação)

Os produtos que deverão merecer a atenção na concepção dos projectos privados são os recomendados nas medidas do Executivo, nomeadamente: A agricultura e silvicultura: madeira e os seus derivados, café, sementes (milho, soja, feijão, mandioca, arroz, batata, hortaliças, cevada, legumes, frangos e ovos frescos, algodão, cana-de-açúcar, caprinos, ovinos, bovinos, suínos e palmares:

Indústria alimentar: fuba de bombó e de milho, água mineral e de mesa, cerveja, refrigerantes, sal iodizado, farinhas de milho, mandioca e de trigo, óleos alimentares, massas alimentares, malte e açúcar.

Restante indústria transformadora: cimento, madeira, plásticos, vidro, têxteis, material e equipamento escolar e materiais de construção.

Os principais factores aglutinadores das diversas actividades integrantes dos complexos agro-industriais serão a partilha das facilidades de energia, água, infra-estruturas logísticas, comunicações e ainda, outros serviços de apoio: saúde, formação, hospedaria, restaurante, agências de viagem e turismo.

Por exemplo, os agricultores terão disponíveis no local os fornecedores de sementes, fertilizantes, insecticidas, serviços de manutenção dos tractores, etc. Os criadores de gado: aves, os fornecedores de rações, medicamentos, os serviços de abate, processamento, conservação e transporte.

O complexo teria uma direcção que se encarregaria dos serviços gerais, isto é, gestão e manutenção das infra-estruturas comuns, promoção do complexo, marketing, cobrança da taxa aos membros, prestar informações sobre oportunidades de negócio, formação, salas de conferência, reuniões, comunicações e organização de missões empresariais.

A reformulação dos critérios de acesso ao financiamento no âmbito do Angola Investe, dos projectos de investimento das MPME, é uma hipótese a avaliar, principalmente, no que diz respeito à exigência de garantias estabelecendo uma diferenciação gradativa, por exemplo micro empresa, garantia de 5 por cento, pequena empresa 10 por cento e média 30 por cento.

Este regime só deverá vigorar num espaço temporal de 10 anos, suficiente para implementar os projectos, recuperar o capital investido, reembolsar os créditos e consolidar a autonomia financeira das empresas.

Esta facilidade iria conferir maior folga para as empresas desenvolverem a sua capacidade produtiva e, deste modo, contribuir para diversificar a estrutura produtiva do país.

As associações empresariais deverão ser chamadas a divulgar as medidas e os programas, as vantagens de os empresários implementarem projectos no âmbito dos programas dirigidos, contribuir para melhoria do ambiente de negócios, difundir a cultura ética empresarial, a responsabilidade social corporativa, a literacia financeira e a advocacia no quadro de concertação tripartido.

A promoção das exportações é outra direcção para a qual se deveria concentrar a acção das associações empresariais em cooperação com as instituições públicas, mediante acções de formação dos empresários e incentivo à inovação, aumento da produtividade, qualidade dos produtos, serviços e, principalmente, especializar-se em sectores nos quais temos condições para sermos melhores e, assim, conquistar quotas de mercado, primeiro nas regiões de que somos membros, tais como a SADC, CEEAC e dos Grandes Lagos.

Numa estratégia de longo prazo, é de relevante e importância avaliarmos a pertinência de um mecanismo de diálogo e de concertação mais alargada, isto é, o estabelecimento de um conselho económico e social, uma estrutura que seja integrada também por outros actores do desenvolvimento que não sejam só o Estado, os empregadores e os sindicatos.

Contribuir para a utilização produtiva dos recursos financeiros resultantes das linhas de crédito negociadas pelo Governo, satisfação da cesta básica com a produção local, redução da importação de produtos de consumo, maior oferta de bens e serviços, diversificar os produtos de exportação, emprego e rendimento, condição para criar de forma progressiva o mercado suficiente com vista a garantir o crescimento económico, a diversificação e o desenvolvimento.

O sector privado ao compreender a necessidade de implementar-se os projectos que respondam à necessidade de satisfazer a procura interna com oferta interna dará uma contribuição para criação dos mecanismos de defesa contra os efeitos negativos do comportamento do preço do petróleo no mercado internacional.

A estratégia de diversificação da economia deve ser entendida como um processo de construção do capital social necessário para culminar no desenvolvimento das pessoas, maior rendimento per capita e melhor nível de vida das famílias. (jornaldeeconomia)

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