Desemprego e dívidas da TACV agitam campanha eleitoral em Cabo Verde

(DPA)

350 mil eleitores cabo-verdianos são chamados às urnas no domingo, 20 de março, para eleger os deputados para os próximos cinco anos. A campanha eleitoral termina hoje.

A situação financeira da companhia aérea cabo-verdiana TACV, que tem um dos seus aviões arrestados na Holanda devido a dívidas, foi um tema abordado de forma constante ao longo das últimas duas semanas. O combate ao desemprego, o aumento do salário mínimo de 100 para 137 euros, a melhoria do ambiente de negócios e a luta contra a criminalidade foram outros assuntos que marcaram a campanha eleitoral para as eleições de 20 de março.

Na corrida estão seis partidos políticos: o Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV, no poder), o Movimento para a Democracia (MpD), a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), o Partido Popular (PP), o Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS) e o Partido Social Democrático (PSD).

Últimas promessas antes de domingo

Se for eleito no domingo, o presidente do MpD, o principal adversário do partido no poder, promete trazer mudanças. “O povo cabo-verdiano quer novas soluções”, afirmou Ulisses Correia e Silva. “Reconfirmámos uma grande adesão à nossa campanha, [com] muita participação da juventude.”

A líder do PAICV aposta na continuidade e piscou o olho aos indecisos: “De coração, peço-vos que escolham Cabo Verde”, disse Janira Hopffer Almada. “Votem no vosso futuro e não deixem a nossa terra retroceder. Espero que no dia 20 de março, a esta hora da noite, estejamos todos na rua a festejar e a gritar a nossa vitória e a vitória de Cabo Verde.”

Ao mesmo tempo, António Monteiro, presidente da UCID, espera acabar com a bipolarização política. “Temos sentido que a mensagem da UCID tem atingido as pessoas que estão à espera de uma mudança no dia 20 de março”, comentou. “Já percorremos várias ilhas, temos feito muitos contactos com a população e estamos bastante satisfeitos, esperando que, no dia 20, a UCID consiga ter um resultado histórico.”

A população pede aos partidos políticos que cumpram as promessas e que combatam sobretudo o desemprego e a insegurança no país.

“O problema de insegurança é que está a preocupar as pessoas. E os elevados impostos têm tirado o sono aos empresários”, disse um cabo-verdiano em entrevista à DW África. “Parece-me que estas eleições vão ser muito renhidas entre o MpD e o PAICV”, acrescentou outro.

“Tudo pronto”

A presidente da Comissão Nacional de Eleições garante que está tudo pronto para as eleições. “Todas as condições logísticas e humanas para as eleições de 20 de março já estão criadas”, afirmou Maria do Rosário Pereira

Uma missão de 20 observadores da União Africana vai monitorizar estas eleições legislativas.

Sem entrar em pormenores, o opositor Ulisses Correia e Silva adiantou que, quando a campanha eleitoral terminar, esta sexta-feira, será preciso estar atento: “Vamos estar muito atentos. […] Aqui em Cabo Verde o jogo das eleições não é de regras totalmente normais. Há muitas coisas anormais que acontecem.” (DW)

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