Cuanza Norte: Peões e automobilistas devem repartir culpas

Travessia de peões na passadeira (Foto: Pedro Parente)

Munícipes de Cambambe, província do Cuanza Norte, defendem a repartição das responsabilidades entre automobilistas e peões, nos casos de atropelamentos na via pública, atendendo as circunstâncias em que ocorrem.

Numa ronda efetuada nesta segunda-feira pela à Angop, no Dondo, sede do município de Cambambe, os entrevistados afirmaram que o facto inquieta a todos, visto que nestas situações cada interveniente quer chamar a razão a si, as vítimas reclamando da violação de prioridades, enquanto os automobilistas, o desconhecimento do código de estrada, por parte dos peões.

Para Osvaldo Domingos, motorista há 15 anos, a avaliação de um acidente por atropelamento na sociedade angolana é ainda uma situação complexa, visto que nem sempre os peões observam as regras de utilização das vias públicas, sobretudo na travessia de estradas.

Acrescentou que a sociedade angolana responsabiliza apenas os automobilistas pelos atropelamentos, facto que discorda, porque o peão deve antes de se fazer a estrada observar o trânsito em ambos os sentidos e, só depois, faz a travessia para alcançar o passeio.

Atualmente as pessoas caminham de forma contínua e, em alguns casos fazendo uso de telemóveis enquanto atravessam as estradas ignorando os perigos que correm, facto que pode estar na base de muitos atropelamentos registados na sociedade”, lamentou.

O entrevistado, disse ainda que, tal comportamento é resultado do sentimento de impunidade, por parte das vítimas, que tem na legislação a sua grande proteção, considerando que o peão tem sempre razão.

Em sua opinião, os órgãos competentes deviam adotar políticas de separação de culpas entre os intervenientes num atropelamento e de mobilização da sociedade para abster-se do recurso a práticas de retaliações, permitindo que os peritos façam uma leitura realista do acontecimento e responsabilizem o culpado.

Considera que em caso do atropelado ser considerado culpado pelo acidente que não resulte em morte, este deve assumir os danos do veículo e, desta forma educar a sociedade sobre o comportamento a observar na via pública.

Já Morien Momarien, inspetor da educação no município de Cambambe, defende a inclusão de noções básicas sobre o código de estrada no curriculum de ensino, visando a promoção da educação para o trânsito, o que já era praticado no sistema educativo anterior.

Reconheceu que muito dos automobilistas tomam contacto pela primeira vez com o código de estrada já na idade adulta e que, aliada ao conhecimento insuficiente que possuem do mesmo, pode também estar na origem dos acidentes de viação, sobretudo no interior das localidades, mais isso não inibe os peões de terem cautela na via pública

Por seu turno o instrutor de condução, Augusto Jerónimo da Cunha, reprova o uso de auriculares durante a travessia de via publica, uma situação que pode resultar em acidentes graves.

“O facto da vítima se fazer a estrada com o auricular, expõe-se imediatamente o que retira grande parte das culpas ao automobilista, que no entanto não têm o volante como arma mortífera para quem anda a pé”, frisou.

Recomenda a reconstituição dos factos, durante a instrução do processo-crime, contra o automobilista, para uma leitura correta da ocorrência e assim se encontrar o culpado para a devida responsabilização. (ANGOP)

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