Crise: Uma janela de oportunidades

NSINGUI MALONGUI Gestor e Consultor (Foto: D.R.)

Depois de passarmos um ano com muitas movimentações, tanto no mercado nacional como internacional, cresceu a onda de ansiedade e também o número de questões no meio académico e noutros da sociedade civil.

De todas as perguntas, filtrei as que mais alto soavam: como será o comportamento da economia nacional neste ano, ou seja, agora em 2016? A produção nacional satisfará um mercado exigente como o nosso? De forma sintética, vamos responder às questões, para percebermos o que pode efectivamente acontecer na economia nacional em 2016.

Pesquisas internacionais, tanto do FMI, OPEP e de outras agências credenciadas, nos seus relatórios de 2015, apontam para um arrefecimento dos níveis de crescimento da economia global e que o primeiro trimestre de 2016 representará grandes desafios e incertezas no domínio do preço do petróleo no mercado internacional, e consequentemente uma situação gravosa para a economia dos países produtores.

Embora houvesse sempre muita expectativa de apreciação do preço do barril do petróleo, a verdade porém é que a cotação desta commodity continua ainda a números mínimos, próximo dos 40 dólares sabendo, por conseguinte, que os países produtores de petróleo estão a produzir quase no limite das suas capacidades.

O fim das sanções impostas ao Irão, em Janeiro último, deverão levar o país a aumentar a sua capacidade produtiva, de cerca de 3,3 milhões de barris por dia, isto até finais de 2016, segundo previsão da AIE (Agência Internacional de Energia), o que aumentará o excesso de oferta no mercado, de mais 1,5 milhões de barris/dia para quase 2 milhões diá- rios acima da demanda, exercendo mais pressão sobre os preços mundiais, já baixos.

Ante o cenário que se apresenta nos mercados internacionais, revelam que teremos um ano de 2016 bastante difícil, com a cotação das matéria-primas a níveis tão baixos. O comportamento da economia nacional pelo menos a curto prazo está fortemente dependente destas variantes.

Enquanto não houver melhorias significativas nos mercados internacionais, estaremos condicionados e expostos ao ambiente descrito. Está a ser feito um grande trabalho para apoio ao sector privado da economia nacional, precisamos, pois, de encarar o desafio de diversificar a economia nacional como prioritário para que as metas preconizadas pelo Executivo sejam a médio/longo prazo alcançadas.

Uma janela de oportunidades abre-se para a produção nacional, é por aí onde estão virados todos os olhos. Dizer ainda que os produtores nacionais devem fazer desta janela que se abriu uma porta, pois a produção nacional terá capacidade para satisfazer um mercado exigente como nosso.

A curto prazo ainda não é possível satisfazer, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo, apesar de termos potencial, mas precisamos de transformar todo este potencial em riqueza efectiva, lembrando que já fomos um dos maiores produtores de África em café, sisal, algodão, etc.

É importante melhorarmos alguns aspectos, desde infra-estruturais, técnicos, como a construção de estradas, caminhos-de-ferro, pontes, centros logísticos de transformação, etc, ao escoamento dos produtos e sua conservação. (jornaldeeconomia)

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