Crise atinge estudantes angolanos

Universidade Agostinho Neto (Foto: DW/Arquivo)

As propinas são altas e os livros e os transportes estão mais caros devido à crise económica. Duas semanas depois do início do ano académico em Angola, já há estudantes que temem não acabar os estudos.

Os estudantes angolanos queixam-se há anos das propinas cobradas nas instituições do Ensino Superior, que variam atualmente entre os 25 mil kwanzas e 35 mil (entre 140 e 200 euros). Mas a crise económica e financeira, causada pela queda do preço do petróleo no mercado internacional, agrava ainda mais as contas dos jovens.

Fernando Gunza prevê um ano difícil. “Para além de sermos estudantes universitários, somos funcionários públicos e sustentamos as nossas famílias”, diz.

Gunza estuda numa das universidades privadas de Luanda e diz que, com o aumento dos preços dos livros e dos transportes, pode não conseguir acabar o curso de Comunicação: “Será muito difícil para as pessoas que vivem distantes das universidades, como eu. Tenho de me levantar às três da manhã para chegar ao serviço e depois, ao meio-dia, chegar à universidade.”

Propinas

A estudante Aurora Pereira considera que, este ano, os problemas financeiros dos universitários vão duplicar. A jovem, que é também chefe de família, avança que muitos dos seus colegas não reconfirmaram as matrículas. “Decidiram tomar essa precaução a fim de não anularem as matrículas no meio do ano letivo”, diz. “Os pais já estão a fazer o balanço do rendimento de cada família e tomam essa precaução para não perderem o ano.”

Em janeiro, um grupo de estudantes tentou protestar nas ruas de Luanda contra o aumento das propinas mas foi impedido pelas autoridades.

Durante a abertura do ano académico de 2016, a 29 de fevereiro, na província do Kwanza-Sul, o ministro angolano do Ensino Superior, Adão do Nascimento, disse que está à espera de uma resposta do Ministério das Finanças para regular a questão das propinas. “Esperamos algumas indicações do senhor ministro das Finanças. Quem regula os preços é o senhor ministro das Finanças, portanto ele vai pronunciar-se”, explicou o governante. (DW)

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