Caça furtiva impede saída da palanca negra da lista vermelha

Palanca Negra Gigante (Foto: Pedro Parente/Arquivo)

O coordenador do projecto de Conservação da Palanca Negra Gigante, Pedro Vaz, condicionou a saída deste antílope da lista vermelha à redução da sua mortalidade, maioritariamente, associada à caça furtiva.

O biólogo disse que qualquer espécie reduzida a menos de 250 indivíduos está necessariamente na categoria perigo crítico “CR”, sendo um dos critérios que cumpre actualmente a palanca negra gigante.

Em declarações à Angop, que procurou saber o tempo necessário para a saída deste animal, “símbolo nacional”, da lista vermelha, Pedro Vaz indicou um cenário pessimista: a palanca negra gigante “nunca” deixará de estar na lista vermelha, tendo em conta os actuais critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

“Realisticamente poderemos e devemos aspirar a conseguir fazer um upgrade (actualização) para a categoria em perigo (EN ), mas fazer mais um upgrade para a categoria vulnerável (VU) já me parece irrealista ou pelo menos improvável a médio prazo” – sublinhou Pedro Vaz.

Em sua opinião, para um aumento da população deste animal não interessa tanto a taxa actual de reprodução, mas a taxa de mortalidade causada pela caça furtiva.

“A reprodução pode ser boa, mas se matam os adultos não serve de nada. Se fosse possível por magia eliminar toda a caça furtiva, hoje, instantaneamente, seriam precisos cerca de 10 a 12 anos para chegar a uma população de 250, que permitiria que esta saísse da lista vermelha, mas caso outros critérios fossem cumpridos, para fazer subir a categoria de em perigo crítico para em perigo “EN” ” – disse.

Para si, o processo de limitar a caça furtiva poderia ser bastante rápido, isso em menos de um ano, caso houvesse mais vontade e disponibilização de meios adequados.

“Poderia ser feito em menos de um ano. Já a recuperação das palancas, logicamente, e como já foi explicado, iria depois levar mais alguns anos, mas na minha opinião ainda estaríamos a tempo de a salvar”, augurou o biólogo.

Disse que para erradicar ou, no mínimo, controlar-se a caça furtiva precisa-se de uma equipa de fiscais bem formados, equipados, motivados e com a devida autoridade, com auxílio das Forças Armadas Angolanas (FAA).

“A curto prazo, e caso isso não seja possível, de forma temporária deveria ser equacionada e encorajada uma maior participação dos efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA). É preciso sublinhar que as FAA sempre se mostraram disponíveis e em muitas ocasiões têm contribuído positivamente neste esforço. Na minha opinião o seu papel poderia ser ainda mais reforçado nesta fase, como medida transitória de emergência” – destacou.

Quanto à sua reprodução, Pedro Vaz fez saber que no Parque Nacional da Cangandala (Malanje) regista-se uma situação razoável, augurando-se que este ano nasçam pelo menos dez (10) novas crias.

Já na reserva integral do Luando, o especialista admitiu não possuírem dados actualizados, podendo este número chegar a cerca de 20, visto que a maioria das palancas se encontra naquele local, com menos de 100 animais.

O número de nascimentos é apenas uma das variáveis, devendo depois ser considerada a mortalidade natural (sempre maior nas crias e nos machos) – explicou o especialista, afirmando que os dados disponíveis apontam que a mortalidade por causa da caça furtiva, infelizmente, incide sobre as fêmeas jovens o que complica bastante as análises e previsões demográficas.

“As fêmeas engravidam pela primeira vez aos dois anos e têm a primeira cria aos três anos. O seu período de gestação é de 8,5 meses. Têm uma cria anualmente, geralmente nascida entre Maio e Julho. As fêmeas podem gerar crias até morrerem velhas por volta dos 14-15 anos” – explicou.

De acordo com estudos efectuados nos anos 70, conheciam-se cinco manadas de palancas negras gigantes em Cangandala, com uma população entre os 120 e 150 animais, enquanto no Luando contabilizavam-se mil 500 a duas mil cabeças.

A partir de1982, a situação agravou-se, devido à guerra, e alguns animais, incluindo as palancas, foram mortos indiscriminadamente.

Com o alcance da paz em 2002, medidas foram adoptadas para a localização desta espécie rara, na sequência de uma iniciativa lançada pelo Centro de Estudo de Investigação Cientifica da Universidade Católica de Angola (UCAN), em parceria com o Governo Angolano, através do Ministério do Ambiente.

Apesar dos esforços actuais, o animal continua a ser perseguido pelos caçadores furtivos, sobretudo na reserva integral do Luando, onde está concentrado um número maior de palancas (perto de 100), em relação a Cangandala, onde estão controlados 40, incluindo a suas crias. (ANGOP)

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