Cabo Verde: Dívidas da TACV aquecem debate entre candidatos do PAICV e MpD

(REUTERS)

Em Cabo Verde, a campanha para as legislativas de 20 de março entra na reta final. Os dois principais candidatos estiveram frente a frente na quinta-feira. Os problemas financeiros da companhia aérea TACV causam divisão.

O derradeiro debate entre Janira Hopffer Almada, presidente do partido no poder, o PAICV, e Ulisses Correia e Silva, líder do MpD, girou à volta de temas económicos como a redução da carga fiscal, a criação de postos de trabalho e a situação de falência técnica da TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde).

O assunto marca a atualidade no país: em fevereiro, um Boeing 737 da companhia aérea foi retido na Holanda por dívidas a fornecedores. A TACV anunciou que vai reduzir pessoal devido aos problemas financeiros.

Ulisses Correia e Silva garantiu que, se o Movimento para a Democracia (MpD) ganhar as eleições, a sua primeira medida será demitir o presidente do Conselho de Administração da TACV.

“É uma situação que envergonha Cabo Verde”, afirmou Correia e Silva durante o debate na rádio e televisão públicas. “Perante a ameaça de arresto de outro Boeing e dos dois ATR, em qualquer país do mundo onde os interesses do Estado se sobrepõem aos interesses do partido, o presidente do Conselho de Administração estaria fora.”

Neste tema, Janira Hopffer Almada pareceu pouco à vontade, tentando desviar o debate. Os problemas da TACV são “complexos e estruturais”, afirmou a candidata, lamentando que a situação na companhia aérea esteja a ser usada “para fins eleitoralistas”.

Mas, perante a insistência e perguntas do adversário, Hopffer Almada foi obrigada a falar da administração da TACV: “Como nós não partidarizamos a administração pública e eu não sou chefe de Governo, não tenho que manifestar confiança, ou não, no presidente do Conselho de Administração”, rematou.

Promessas de campanha

Ambos os partidos propõem reduzir a carga fiscal em Cabo Verde. Ulisses Correia e Silva abriu o debate prometendo que, se o MpD ganhar as eleições, baixará o Imposto Único sobre os Rendimentos (IUR) 1 por cento por ano até 2021. Prometeu ainda um estímulo fiscal ao emprego “através da redução do custo da contratação de mão-de-obra jovem.”

Atualmente, a taxa de desemprego em Cabo Verde é de 15,8 por cento.

O PAICV propõe criar 25 mil postos de trabalho por ano, enquanto o MpD aponta para 45 mil empregos em cinco anos.

Janira Hopffer Almada também promete melhorar o ambiente de negócios e empoderar o setor privado: “Nós vamos reduzir o imposto sobre os rendimentos das pessoas coletivas sujeitas ao regime de contabilidade organizada de 25% para 20%, mas também vamos reduzir o IVA de 15% para 10% no turismo, nos agro-negócios e nas pescas”, disse a líder do PAICV.

Em resposta, Ulisses Correia e Silva pediu ao PAICV que seja coerente: “Estranho é que estas propostas venham hoje, de alguém que esteve no Governo até há poucos dias. Este mesmo Governo aumentou a taxa do IVA para o turismo, que era de 6%, para 15%.”

No final do debate, os líderes do MpD e do PAICV mostraram-se satisfeitos. “Mas os cabo-verdianos é que irão avaliar”, notou Correia e Silva.

Para Hopffer Almada, ficou claro no debate que as propostas dos dois partidos são semelhantes: “Pediria aos apoiantes do MpD que, já que apoiam a nossa visão [….], então que votem no PAICV”.

Os cabo-verdianos vão às urnas a 20 de março. (DW)

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