Bengo: Nacionalista fala da clandestinidade dos integrantes do “Processo dos 50”

Amadeu Amorim - Um dos Integrantes do "Processo dos 50" (Foto: Falso/Arquivo)

O nacionalista Amadeu Amorim informou, terça-feira, em Caxito (Bengo), que a clandestinidade dos integrantes do “Processo dos 50” foi determinante, porque constituiu uma obra gigantesca que se desencadeou para formação de uma consciência patriótica, permitiu transmitir a angolanização e a noção de pátria nesses primeiros dias de luta.

Ao falar numa palestra subordinada ao tema “O que é o processo dos 50 e o percurso histórico dos seus integrantes”, Amadeu Amorim lembrou que foi a 29 de Março de 1959 que um grupo de homens, destemidos, levantou as suas vozes contra o grande bastião português.

Segundo ele, naquela altura foi preciso distribuir panfletos para consciencializar a população, porque muitos já não acreditavam que era possível fazer essa luta.

O encontro visou saudar o 29 de Março, data em que vários nacionalistas angolanos foram detidos pela polícia política portuguesa e julgados, no que ficou conhecido como “Processo dos 50”.

Ressaltou que esta associação compreende os homens do “Processo 50” e para homenagear os compatriotas já falecidos, assim como os sobreviventes que continuam a levar avante o nome da agremiação.

Por seu turno, o governador provincial em exercício, José Campos Major, manifestou a sua satisfação pelo facto do Bengo ter acolhido sobreviventes do “Processo dos 50”, tendo felicitado os nacionalistas pela comemoração do 57º aniversário deste acontecimento.

Enfatizou que foi na década 50 que se verificou o aumento de contestação sobre o regime colonial em Angola com o surgimento de vários movimentos de libertação.

Para José Major, a medida que se aumentou as acções contra o regime colonial, agudizava-se igualmente a repressão levada a cabo pela Polícia Política portuguesa (PIDE DGS), culminando com a detenção de vários nacionalistas.

O programa de actividades da associação, aberto a 27 deste mês, prevê a realização de uma missa em homenagem aos defuntos ex-presos políticos do “Processo dos 50”, visitas a locais de interesse turístico e histórico, bem como a entrega de donativos ao centro de crianças desfavorecidas.

Consta do processo 50 personalidades como José Manuel Lisboa, Lucrécio da Silva Mangueira, Agostinho Mendes de Carvalho, André Mingas, Belarmino Van-Dúnem, José Diogo Ventura e Noé Saúde.

A palestra, promovida pela aludida Associação, no quadro do programa comemorativo do 57º aniversário assinalado a 29 de Março, contou com a participação de membros do governo provincial, deputados da Assembleia Nacional, autoridades tradicionais, entidades religiosas, docentes e estudantes universitários. (ANGOP)

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