Batalha do Cuito Cuanavale foi desencadeada há 28 anos (vídeo)

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Assinala-se quarta-feira, 23 de Março, o vigésimo oitavo aniversário da Batalha do Cuito Cuanavale, considerada a maior batalha de forças regulares ocorrida na África Austral.

A efeméride marca a derrota imposta pelas ex-Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), contra militares do antigo regime do apartheid sul-africano, que, na altura, invadiam Angola a partir desta região sudeste do país.

A derrota das então forças militares sul-africanas obrigou o regime do apartheid a promover conversações quadripartidas, que levou a assinatura do acordo de Nova Iorque (EUA) e, consequentemente, a independência da Namíbia e a democratização da África do Sul, com o fim do regime do Apartheid.

A intervenção sul-africana em Angola teve início no período colonial português, com o objectivo de ajudar os colonialistas na luta contra os grupos de guerrilheiros que na altura existiam. A principal base da África do Sul na altura estava localizada na região do Cuito Cuanavale.

Após a independência, estas forças voltaram a invadir o país, posicionando as suas tropas até ao sul do Ebo, província do Kwanza Sul, de onde sofreram uma derrota e tiveram de se retirar.

Após este recuo, instalaram-se na Namíbia e daí realizavam incursões no território angolano, sempre com o pretexto de que combatiam os militantes da Swapo e do ANC.

Durante quase mais de uma década, o regime sul-africano tinha como objectivo manter um território no sul de Angola, onde operariam livremente contra o exército angolano.

Ainda durante este tempo, o exército angolano realizou várias operações ao sul do território, com o objectivo de destruir as bases da Unita, e nela foram empregues quatro brigadas (16, 21, 45, 59), que avançaram até às margens do rio Longa.

A ofensiva das FAPLA estava a ser coroada com grandes êxitos até os sul-africanos introduzirem directamente forças como a brigada 61 motorizada, batalhão búfalo e outras que conseguiram, na altura, parar a ofensiva do Governo angolano.

Animados com este resultado, resolveram realizar outra operação denominada “Hooper”, cujo objectivo era destroçar as brigadas das FAPLA e tomar o Cuito Cuanavale.

Decidiram então abrir duas frentes, sendo uma no Kuando Kubango e outra no Cunene, com o objectivo de realizar uma ofensiva em direcção à fronteira namibiana.

Após grandes combates de artilharia, tanques e bombardeamentos aéreos, que duraram oito horas, as FAPLA conseguiram derrotar as tropas sul-africanas, obrigando-as a se retirar.

Nesta batalha, segundo fontes militares, foi quebrado o mito de invencibilidade do exército racista da África do Sul e alterou, “de uma vez por todas”, a correlação de forças na região austral do continente.

A superioridade alcançada pelas ex-FAPLA no campo de batalha fez com que o regime do apartheid, temendo uma derrota mais pesada, aceitasse a assinatura dos Acordos de Nova Iorque, que deram origem à implementação da resolução 435/78 do Conselho de Segurança da ONU.

A resolução 435/78 ditava a independência da Namíbia e consequentemente o desmantelamento do regime de segregação racial, que vigorava na África do Sul.

Para honrar a memória de todos os que lutaram para defender aquela localidade da ocupação sul-africana, o governo angolano ergueu, à entrada da sede municipal do Cuito Cuanavale, uma infraestrutua de aproximadamente 35 metros de altura, sob a forma de pirâmide, denominado “Monumento Histórico”.

A infra-estrutura comporta dois pisos, um terraço e sustentada por três vigas de betão armado, que lhe conferem a forma de uma pirâmide, está equipada com um elevador com capacidade para transportar cinco pessoas.

Logo à entrada do pátio do monumento histórico, encontra-se uma estátua de dois soldados, sendo um combatente das ex-FAPLA e outro cubano, com os punhos erguidos em sinal de vitória no fim dos combates da já conhecida, no mundo, “Batalha do Cuito Cuanavale”.

No mesmo perímetro, encontra-se uma biblioteca e um museu, este último, onde estão expostas algumas das armas capturadas durante os combates e do material utilizado pelas extintas FAPLA e pelas tropas cubanas.

O nome Cuito Cuanavale, um dos municípios da província do Kuando Kubango, tem origem dos rios Cuito e Cuanavale, que convergem nesta região.

Angola propôs, na reunião do Conselho de Ministros da SADC, realizada este mês em Gaberone, Botswana, o 23 de Março como Dia de Libertação da África Austral, assunto que vai ser analisado pelos países membros até 30 de Abril, devendo a decisão final ser conhecida em Julho, durante a próxima reunião.

O Cuito Cuanavale possui uma superfície de 35.610 quilómetros quadrados, onde se estima que habitem 94.743 pessoas, que se dedicam essencialmente à agricultura e criação de gado. (ANGOP)

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