Aung Suu Kyi será ministra das Relações Exteriores de Mianmar

(AFP)

A Prémio Nobel da Paz Aung Suu Kyi será ministra das Relações Exteriores do novo governo de Mianmar, anunciou nesta terça-feira seu partido, vencedor das legislativas históricas de Novembro passado, quando os birmaneses participaram em massa.

“Ela será a ministra das Relações Exteriores”, anunciou Zaw Myint Maung, porta-voz da Liga Nacional para a Democracia (LND), que sugeriu que Suu Kyi também terá um papel activo em outros ministérios.

Este anúncio confirma os rumores que circulavam nos últimos dias e que aventavam que a ex-dissidente, de 70 anos – 15 dos quais viveu em prisão domiciliar -, seria a chefe da diplomacia birmanesa.

Horas antes, o parlamento informou que a Prêmio Nobel da Paz havia sido escolhida para integrar o ministério do novo governo.

O nome de Aung San Suu Kyi foi lido pelo presidente do Parlamento, Mann Win Khaing Than, na relação de membros do primeiro governo civil de Myanmar em décadas.

O intelectual Htin Kyaw, 69 anos e fiel companheiro de dissidência de Aung San Suu Kyi, tornou-se na terça-feira passada presidente de Myanmar, o primeiro civil em décadas neste cargo.

Htin Kyaw terá a missão de promover grandes reformas, começando pela educação, a saúde e os serviços públicos.

A LND não pôde promover a candidatura de Aung San Suu Kyi, já que a Constituição proíbe o acesso à presidência de quem tenha filhos de nacionalidade estrangeira, o que é o caso da ex-dissidente, que tem dois filhos britânicos.

No entanto, a Dama de Yangun disse há várias semanas que estaria acima do presidente.

Mas, junto ao novo presidente, a ex-líder opositora deverá promover grandes reformas, começando pela educação e a saúde, arruinadas, assim como a maioria dos serviços públicos. Além disso, várias zonas fronteiriças do país se encontram em guerra civil.

O novo governo deverá lidar em sua tarefa com o grande poder do exército, que conserva três ministérios chave (Interior, Defesa e Fronteiras) e 25% dos assentos no Parlamento.

A filha do general Aung San, herói da independência assassinado em 1947, goza de uma imensa popularidade neste país pobre de 51 milhões de habitantes, onde esteve durante anos sob prisão domiciliar.

Ela comandou a dissidência de casa e acabou vitoriosa com a auto-dissolução da junta e o estabelecimento de um governo semi-civil em 2011, o que permitiu a libertação de centenas de presos políticos, liberdade de imprensa e abertura económica.

Com a formação do governo, que entrará em funções em 1º de Abril, no mesmo dia que o presidente, o país poderá virar a página de décadas de poder militar. (AFP)

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