Angola: Empresário angolano vai interpor ação contra juiz Carlos Alexandre

Bento Kangamba, sobrinho de José Eduardo dos Santos, vai interpor ação contra juiz Carlos Alexandre Foto:ose David Baptista de Sousa/ Wikimedia Commons/DR

Bento Kangamba, sobrinho de José Eduardo dos Santos, esteve envolvido num processo de fraude fiscal, branqueamento de capitais e incentivo à prostituição.

O general angolano Bento dos Santos Kangamba irá interpor uma ação contra o juiz Carlos Alexandre, depois de o tribunal da Relação lhe ter dado razão no processo judicial que lhe foi instaurado em 2014.

Em declarações à RTP, o sobrinho de Eduardo dos Santos afirmou que irá apresentar uma “queixa-crime contra o juiz Carlos Alexandre.” O general assegura que entregou todas as declarações dos seus bens aos tribunais, não tendo “nada a recear”. “Eu justifiquei como é que ganho o meu dinheiro. Eu entreguei tudo ao tribunal.”

O caso ao qual o empresário angolano se refere diz respeito ao caso, de outubro de 2014, em que o juiz Carlos Alexandre mandou apreender as suas propriedades em Portugal e bloquear as suas contas bancárias. As apreensões foram feitas no âmbito de uma investigação de fraude fiscal, incentivo à prostituição e branqueamento de capitais. Entre as apreensões estavam 8 milhões de euros em notas de 5 euros.

O angolano era suspeito de estar envolvido num caso de tráfico humano no Brasil, nomeadamente numa rede de prostituição, onde o dinheiro seria lavado através da sua participação em clubes de futebol. Também em França está indiciado por branqueamento de capitais, tendo as autoridades no ano passado apreendido 3 milhões de euros em dois carros de matricula portuguesa que lhe pertenciam.

Bento dos Santos “Kangamba” tem 49 anos e casou em 2010 com uma sobrinha de José Eduardo dos Santos. Na última época, o general angolano de três estrelas foi um dos maiores patrocinadores do Vitória de Guimarães que usaram as suas iniciais no seu equipamento.

A nulidade da apreensão dos seus bens em Portugal foi tomada em fevereiro deste ano pelo Tribunal da Relação de Lisboa. O general angolano afirmou à Lusa ter-se sentido “injustiçado” pelo juiz e pelo sistema de justiça português.

Kangamba afirmou ainda à RTP que os investigadores angolanos querem ser tratados da mesma forma que os empresários “chineses ou libaneses”, já que isso é “bom para Portugal e bom para Angola”. (Observador)

 

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