Angola almeja paz nos Grandes Lagos para desenvolvimento da região

Ministro das relações exteriores ,Georges Chikoti (Foto: Pedro Parente)

Angola defendeu segunda-feira em Nova Iorque o regresso da Região dos Grandes Lagos ao caminho do desenvolvimento sustentável, através de uma liderança forte, vontade política, funcionamento das instituições e construção do Estado.

Esta posição foi defendida pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, quando discursava no debate aberto do Conselho de Segurança das Nações Unidas sob o tema “Paz e Segurança Internacional: Prevenção e Resolução de Conflitos na Região dos Grandes Lagos”, presidido por si, e que contou com a participação do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon.

“Os elevados níveis de crescimento económico na região não resultaram no desenvolvimento e melhorias tangíveis no bem-estar dos cidadãos, e a pobreza, a desigualdade e a iniquidade causam tensão social, despedaçando a coesão social”, reconheceu Chikoti, que esteve acompanhado pela ministra da Família e Promoção da Mulher, Filomena Delgado, e o representante Permanente junto da ONU, embaixador Ismael Gaspar Martins.

Salientou que a persistência de focos de conflitos mortais cujas causas giram em torno de factores económicos, institucionais, regionais e geopolíticos globais, têm sido extremamente caros em termos sócio-económicos e humanos, gerando um ciclo vicioso de violência.

Segundo o governante, o nexo entre recursos naturais e conflitos é fundamental na formulação de respostas adequadas e medidas de mitigação, advogando a participação efectiva dos cidadãos e das comunidades nas escolhas sócio-económicas e políticas, descentralização dos serviços, transparência no sector público e gestão das finanças.

“Neste contexto, a iniciativa da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos contra a Exploração Ilegal de Recurso Naturas (RINR) é um exemplo concreto de uma acção concertada nesse sentido, exigindo esforços redobrados e apoio da CIRGL”, frisou.

A propósito, garantiu que Angola continua a envidar esforços sustentados para contribuir para esse objectivo, assim como a União Africana, a Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos, a Comunidade Económica da África Oriental e outros actores sub-regionais devem proporcionar o apoio necessário.

De acordo com Georges Chikoti, o objectivo de Angola, ao realizar o debate, é mudar a narrativa tradicional focada em conflitos armados, a pilhagem dos recursos, as violações flagrantes dos direitos humanos e a incapacidade geral para encontrar soluções sustentáveis ​​para os problemas que afectam a região.

“As causas dos conflitos estão bem identificadas: o nosso objectivo é ter uma abordagem prospectiva, identificando mudanças do jogo, permitindo a transformação dessas causas de conflitos em factor de paz e de desenvolvimento social e económico”, disse.

O lançamento da Estratégia Quadro da Região dos Grandes Lagos, em apoio à implementação do Acordo Quadro para a Paz, Segurança e Cooperação para a RDC e a Região, que estabelece uma ligação clara entre paz, segurança e desenvolvimento e compromete-se a reforçar a cooperação e o aprofundamento da integração regional, é apoiado por Angola.

Neste contexto, a Iniciativa Regional ICGLR contra a exploração ilegal dos recursos naturais (RINR) é um exemplo concreto de uma acção concertada no sentido de tal esforço, exigindo esforços redobrados e suporte estendido para ICGLR e ao RINR.

“Manter a paz é um objectivo importante a ser alcançado através de um diálogo aberto entre todas as partes interessadas”, enfatizou o ministro, afirmando acreditar “fortemente que a Região dos Grandes Lagos tem o necessário para um novo destino e seguir a via de desenvolvimento equitativo e sustentável”.

Intervindo na sessão, o secretário-geral da ONU exortou ao cumprimento dos acordos existentes e que a CIRGL, presidida pelo Chefe de Estado Angolano, José Eduardo dos Santos, é o fórum para se tratar de questões dos países nela inseridos, e que o Conselho de Segurança tem a responsabilidade de manter a paz e segurança internacional.

A reunião teve como prelectores o enviado especial do Secretário-Geral da ONU para a Região dos Grandes Lagos, Saidi Djinnit, o comissário para a Paz e Segurança da União Africana, Smail Chergui, e o representante do Banco Mundial, Vijay Pillai. A sessão contou com as presenças de alguns ministros.

A delegação angolana integrou ainda a directora dos Assuntos Multilaterais do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Margarida Isata, e os embaixadores Agostinho Tavares, Emílio Guerra, Edgar Gaspar Martins e Hélder Lucas, respectivamente, acreditados na RDC, EUA, Canadá e Representante Permanente adjunto na ONU. (ANGOP)

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