Acções do BPI voltam a negociar em bolsa após comunicado de Isabel dos Santos

(Miguel Baltazar)

A CMVM determinou o levantamento da suspensão das acções, depois da empresária angolana ter emitido um comunicado, onde salienta que continua a negociar com o CaixaBank, mas não há ainda acordo final.

As acções do Banco BPI vão voltar a negociar em bolsa esta quarta-feira, 23 de Março, anunciou o regulador.

“O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) deliberou o levantamento da suspensão da negociação das acções do Banco BPI, S.A., por terem cessado os motivos que justificaram a suspensão”, refere um comunicado da entidade liderada por Carlos Tavares.

As acções do banco liderado por Fernando Ulrich estiveram suspensas durante toda a sessão de terça-feira, para que o mercado pudesse ser esclarecido sobre o ponto de situação das negociações com o CaixaBank. No final do dia a Santoro emitiu um comunicado onde actualiza o desenrolar das negociações com os espanhóis do CaixaBank sobre o impasse no BPI.

A “holding” da empresária angolana salientou que há “negociações com o CaixaBank, mas não existe qualquer acordo” com o maior accionista do BPI. Um comunicado em linha com o que tinha afirmado o CaixaBank na semana passada.

Acordo preso por detalhes

Apesar de ainda não haver um acordo final entre os dois maiores accionistas do BPI, Isabel dos Santos e o CaixaBank já definiram o modelo que vai permitir separar os seus interesses. O grupo catalão vai adquirir a posição da empresária no BPI, enquanto esta instituição venderá o controlo do Banco de Fomento Angola (BFA) a Isabel dos Santos. Em paralelo, o CaixaBank vai lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) ao BPI.

Esta última transacção permitirá à instituição liderada por Fernando Ulrich responder à exigência do Banco Central Europeu para que reduza a sua exposição a Angola, onde, segundo o supervisor europeu, tem um excesso de concentração de riscos.

Faltam 18 dias para o fim do prazo definido pelo Banco Central Europeu para o BPI resolver o problema do excesso de exposição a Angola. A Reuters noticiou ontem que os contornos essenciais do negócio estão definidos.

“Estamos na fase de constantes trocas de protocolos entre as duas partes sobre um negócio que é complexo e envolve muitas entidades”, adiantou à Reuters fonte conhecedora das negociações, recusando antecipar um prazo para alcançar um entendimento oficial. Segundo este responsável, está por decidir a forma de pagamento das diferentes componentes do negócio e as opções futuras dos dois maiores accionistas da instituição.

Antes de anunciarem o acordo final, os dois maiores accionistas do BPI têm ainda de assegurar que o Banco Nacional de Angola não levantará problemas à venda do controlo do BFA. Esta garantia será imprescindível para que o BCE aceite o acordo entre Isabel dos Santos e o CaixaBank como válido, apesar de a efectiva concretização das transacções que consubstanciam o entendimento não ficarem concluídas dentro do prazo-limite definido pelo supervisor europeu. (Jornal de Negocios)

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