Zika. OMS declara emergência de saúde pública por causa da microcefalia

O vírus zika é transmitido pela picada de um mosquito Foto: Mario Tama/Getty Images

Depois de reunir com uma equipa de 18 especialistas, a diretora-geral da OMS declarou o surto de zika uma emergência de saúde pública, não por causa da infeção, mas por causa da microcefalia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a possível associação entre o vírus zika e a microcefalia e outros problemas neurológicos uma emergência de saúde pública de interesse internacional (PHEIC), disse a diretora-geral, Margaret Chan, à saída da reunião desta segunda-feira.

Os especialistas concordam que existe uma forte suspeita na relação causal entre o vírus zika adquirida durante a gravidez e a microcefalia, apesar de ainda não estar ainda comprovada científicamente”, disse Margaret Chan. “Todos concordaram na necessidade de coordenar esforços internacionais para investigar e compreender esta relação melhor.”

O Brasil reportou o primeiro caso de zika em maio de 2015 e desde aí que o número de casos e o número de países afetados não para de crescer. Paralelamente, também tem havido um número excecionalmente grande de casos de microcefalia e de outros problemas neurológicos. Prevendo que o número de pessoas infetadas possa rondar os três ou quatro milhões o Comité de Emergência da OMS (International Health Regulations Emergency Committee) reuniu esta segunda-feira.

Na conferência de imprensa depois da reunião, Margaret Chan disse que ainda não há confirmação científica de que o vírus zika cause microcefalia, mas o crescente número de casos de microcefalia e de outros problemas neurológicos são motivo de preocupação por si só. Estes problemas, que podem ou não estar associados ao zika, justificaram a declaração de PHEIC.

“O vírus zika só por si não é uma emergência de saúde pública de interesse internacional porque sabemos que não apresenta uma condição clínica grave”, disse na conferência de imprensa David Heyman, professor de Epidemiologia de Doenças Infecciosas, na London School of Hygiene and Tropical Medicine. Tal como no caso do dengue ou do chikungunya, os sintomas do zika não são graves, só se dissemina onde existir o mosquito e apenas enquanto as pessoas não se tornarem imunes. Este surto de zika não se pode comparar ao que foi o surto de ébola.

David Heyman reforçou que é necessário definir orientações em relação ao estudo da associação entre zika e microcefalia e que a investigação deve ser reforçada, mas que não sabe quanto tempo é que ainda pode demorar. Já Margaret Chan lembrou que é são precisos métodos de diagnóstico melhores, mais rápidos e mais fiáveis.

Ainda que a associação entre zika e microcefalia ou outros problemas neurológicos ainda não tenha sido estabelecida, David Heyman defendeu que a declaração desta tarde vai ajudar a tomar medidas que se mostrarão importante caso a relação venha a ser identificada. Margaret Chan concordou que as medidas preventivas se justificam neste caso.

Por agora, as principais medidas de prevenção da infeção por zika passa por controlar as populações do mosquito e evitar as picadas, disse a diretora-geral da OMS. Em relação às viagens, Margaret Chan não vê razão para criar restrições na circulação de pessoas e mercadorias. Em geral as recomendações mantém-se iguais às que já tinham sido apresentadas. (Observador)

por Vera Novais

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