União Europeia incapaz de resolver o problema dos refugiados

A Europa em 1989 festejou a queda do Muro de Berlim e agora está pejada de muros de arame farpado Foto: D.R

O futuro da Europa está cada vez mais ameaçado. Os burocratas de Bruxelas andam que nem “baratas loucas” às voltas com o fluxo de refugiados, que chegam todos os dias ao espaço europeu.

A livre circulação dentro do espaço Schengen pensada pelos europeístas convictos: Konrad Adenauer, Joseph Bech, Johan Willen Beyen, Wiston Churchill, Walter Hallstein, Alcide de Gasperi, Jean Monnet, Sicco Mansholt, Rubert Schuman., Altiero Spinelli e Paul-Henri Spaak (e tantos outros!) está prestes a terminar.

Aquela Europa livre, democrática e de fronteiras abertas e sem muros está moribunda e frágil. O capitalismo matou um dos sonhos mais bonitos do Mundo: um continente europeu unido, fraterno e democrático.

Os alemães derrubaram o muro de Berlim no dia 9 de Novembro de 1989 e festejaram. Em toda a Europa se fizeram comemorações pela queda do “Muro da Vergonha” que começou a ser construído a 13 de Agosto de 1961.

Hoje, a maioria dos cidadãos europeus têm nojo desta pseudo União Europeia que é incapaz de resolver o problema dos refugiados provenientes do Médio Oriente e de África.

Hoje, existem milhões de europeus que já não acreditam no futuro desta União Europeia burocrática e pejada de muros de arame farpado. De Estados que não respeitam os valores mínimos da Liberdade e Democracia. Uma Europa onde começam a florescer chefes de estado autocratas, xenófobos e egoístas.

E é na sequência do fluxo de refugiados que não abranda e a pensar na criação de uma guarda costeira musculada nas costas do mar Mediterrânico, que há instantes, começou em Bruxelas (capital dos tecnocratas e da burocracia) mais uma reunião de ministros da Justiça da União Europeia. Uma União que começa a murchar à velocidade da luz.

Com início marcado para as 10:00 locais (09:00 de Lisboa) e sob a presidência do ministro para as Migrações holandês, Klaas Dijkhoff, o encontro abordará a proposta de regulamento de reforço de controlo nas fronteiras externas de cidadãos da União Europeia (UE). Um assunto que incomoda muitos dirigentes da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Caos instalado nos países balcânicos

Na agenda estará também a criação da guarda europeia costeira, proposta pela Comissão Europeia em Dezembro, para monitorizar os fluxos migratórios, identificar pontos fracos e responder em situação de risco. Uma verdadeira aberração, uma vez que a maioria dos países da Europa Central e do Norte nem sequer ousam em abordar esta matéria relacionada com os refugiados. Até mesmo alguns países balcânicos, que há meia dúzia de anos atrás se debatiam com uma guerra étnica sem precedentes, também já ergueram os muros de arame farpado. Muros horríveis e da vergonha de uma Europa que se diz humanista e acolhedora.

Na sequência da cimeira de chefes de Estado e de Governo da semana passada, os ministros vão discutir hoje em Bruxelas, “além da implementação de medidas e eventuais novas acções, a possibilidade da aplicação do artigo 26.º do código de Schengen, que prevê o prolongamento de controlos fronteiriços”.

Mas o ex-alto comissário da ACNUR e futuro candidato a secretário-geral da ONU, António Guterres não se cansa de advertir: “Se a União Europeia continuar a fazer que não vê este problema dos refugiados, vai acabar por desmoronar nos próximos tempos. A tendência é para que o número de refugiados aumente abruptamente nos próximos meses e a União Europeia e o mundo Ocidental tem que saber dar uma resposta adequada e humanitária a esta situação. Não é a construir mais muros que se resolve este problema dos refugiados”.

E a prova de que se vivem dias difíceis na União Europeia por causa dos refugiados é que a situação vivida na rota dos Balcãs será tratada num encontro, à margem do conselho de ministros, entre representantes da presidência holandesa da UE, Comissão Europeia, Alemanha, Áustria, Eslovénia, Croácia, Sérvia, Macedónia, Grécia e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Mais um sintoma de as coisas não estão nada bem.

A presidência semestral holandesa da UE convidou o ministro do Interior turco para um almoço, com vista à cimeira entre os 28 e a Turquia no início de Março. Mas todos nós sabemos que existem mais de quatro milhões de refugiados na Turquia prestes a apanhar botes rumo às ilhas gregas e à costa mediterrânica de Itália.

 

A tendência é para o fluxo de refugiados aumentar

Portugal estará representado pela ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

Há dois dias, a Organização Internacional das Migrações (OIM) informou que mais de 100.000 refugiados e migrantes chegaram à Europa através do Mediterrâneo desde Janeiro e 413 morreram a tentá-lo. Mas com a chegada da Primavera, as águas do mar Egeu e do Mediterrâneo vão transformar-se num cemitério horrendo e vergonhoso. E os traficantes de pessoas que estão na Turquia continuam impunes e protegidos pelos governantes turcos que sabem quem são e como agem.

À Grécia chegaram, só no mês Fevereiro, mais de 35.000 refugiados e migrantes, 48% dos quais oriundos da Síria, 25% do Afeganistão, 17% do Iraque, 3% do Irão e 2% do Paquistão. Segundo António Guterres, “estes números vão subir drasticamente nos próximos meses”.

E caso as tropas especiais da Arábia Saudita, com o apoio incondicional dos americanos decidam invadir a Síria, esta situação dos refugiados vai transformar-se num caos. O que de certa forma vai ser bom para os terroristas do estado Islâmico. Há muito que eles compreenderam a fragilidade do mundo ocidental face a este fluxo de refugiados e migrantes.

Em Itália, em contrapartida, durante Fevereiro “foram reportados vários dias sem chegadas, devido às duras condições do mar”. Só num dia, segunda-feira passada, 940 pessoas foram resgatadas no Canal da Sicília.

A maioria dos migrantes que chega a Itália é proveniente de África — Marrocos, Guiné-Conacri, Senegal, Gâmbia, Nigéria ou Somália, entre outros países. (Portal de Angola)

por José Valentim Peixe

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