Timor Leste: Voz do PR timorense é de “opositor à governação” do país – presidente Fretilin

O presidente do segundo partido timorense, Fretilin, Francisco Guterres Lu-Olo, considera o Presidente República a voz da oposição Foto: Lusa/D.R

O presidente do segundo partido timorense, Fretilin, Francisco Guterres Lu-Olo, considerou hoje que o Presidente da República falou no Parlamento Nacional como “a voz de um puro opositor à governação” de Timor-Leste, mas sem oferecer alternativas.

“Não foi nem discurso nem mensagem à nação. O que se ouviu foi, sim, a voz de um puro opositor à governação do país”, escreveu Lu-Olo, numa mensagem colocada na rede social facebook.

“O mau da fita e que não conseguiu fazer vincar nenhuma ideia sobre qual seria o melhor caminho para Timor-Leste se tornar um país próspero e desenvolvido. Se não consegue desenhar nada de jeito para Timor-Leste, as palavras foram ditas ao vento que as levou. Não aproveitam, portanto, a ninguém”, disse ainda.

Lu-olo reagia à intervenção hoje no Parlamento Nacional do chefe de Estado, Taur Matan Ruak, que comparou os benefícios que dirigentes do país como Xanana Gusmão, Mari Alkatiri e Lu-Olo têm dado a “familiares e amigos” com práticas do ex-ditador indonésio Suharto.

“Desde 2013, Xanana Gusmão, Mari Alkatiri, Lu-olo [Francisco Guterres, presidente da Fretilin] usam a unanimidade para quê? Não usam a unanimidade e o entendimento para resolver todos os assuntos que há por resolver. Usam-na para poder e privilégio”, afirmou.

“O irmão Xanana [ex-primeiro-ministro e atual ministro] toma conta de Timor, o irmão Mari toma conta de Oecusse. Eu fico triste. E este vírus está a espalhar-se. O princípio básico da democracia é a confiança. Sem isso a democracia não funciona”, disse Taur Matan Ruak.

Intervindo a seu pedido no Parlamento Nacional, o Presidente recordou um diálogo do início deste mês com o primeiro-ministro, Rui Maria de Araújo.

“Eu lamentei que familiares e amigos do irmão Xanana e do irmão Mari tenham beneficiado tanto dos contratos do Estado. O senhor primeiro-ministro perguntou-me se eu queria fazer inspeção”, disse.

“Eu disse-lhe que não. Que estava apenas a falar do descontentamento que se sentia sobre os privilégios. Com o Suharto também acontecia”, disse.

Taur Matan Ruak falava no plenário do Parlamento Nacional, a seu pedido, numa altura em que Timor-Leste vive uma crise política em torno da decisão do Presidente da República sobre o comando das forças de Defesa (F-FDTL), que não seguiu a proposta do Governo, o qual defendia a renovação do mandato de Lere Anan Timur. (Agência Lusa)

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