Tecnologia 5G domina feira de Barcelona

(DPA)

Quinta geração de Internet móvel, com sua promessa de velocidades ainda mais rápidas, tornou-se o centro das atenções do MWC 2016. Mas a tecnologia só deve chegar ao mercado depois de 2020.

A próxima geração da Internet móvel é a conexão 5G – abreviação de quinta geração –, depois da 4G (também chamada LTE), da 3G e da 2G.

Pode parecer pouco romântico, mas as velocidades estonteantes que o universo 5G deve trazer são capazes de deixar qualquer um deslumbrado. Estima-se uma velocidade de download de até 10 Gbps, ou dez vezes mais que os níveis actuais da 4G.

Há também o chamado período de latência – ou quanto tempo um dispositivo leva para transferir um pacote de dados para outro dispositivo. Com a tecnologia 5G, esse período deve ser reduzido a um único milissegundo, comparado com os actuais 50 milissegundos.

Assim, não é à toa que a conexão 5G se estabeleceu como tema central do Mobile World Congress (MWC), em Barcelona, na Espanha, evento conhecido por definir o futuro da tecnologia móvel.

Muitos alertam, porém, que todo esse entusiasmo em torno de desenvolver uma Internet ainda mais rápida pode ignorar – ou pior, abandonar – as milhões de pessoas mundo afora que ainda têm pouco ou nenhum acesso à Internet.

Conectividade: para pessoas ou objectos?

“Uma das coisas que tenho ouvido muito no MWC deste ano, e que pessoalmente achei um pouco decepcionante, é essa ideia de que 4G significa proporcionar uma boa experiência aos usuários, e que 5G significa conectar objectos”, afirmou o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, ao discursar na abertura do evento.

O executivo argumentou que, no ritmo actual, é possível que cerca de metade da população do mundo não tenha acesso à Internet em 2020 – o dado faz parte do relatório State of Connectivity, divulgado recentemente pelo Facebook.

“Espero que as pessoas aqui [no MWC] se concentrem nessas duas prioridades: fazer com que haja uma banda larga melhor, um período de latência menor e velocidades mais rápidas, mas também terminar nosso trabalho e garantir que todas as pessoas do mundo tenham acesso à Internet”, disse Zuckerberg.

O criador do Facebook enfrentou dificuldades ao tentar promover o serviço Free Basics – que oferece acesso gratuito, porém limitado à Internet na Índia –, pois órgãos reguladores de telecomunicações levantaram questões e críticos afirmaram que se tratava de uma afronta à neutralidade da rede.

Inovação é não deixar ninguém para trás

Mas alguns especialistas afirmam que, por causa das novas tecnologias, os atuais problemas de infraestrutura de comunicação em países em desenvolvimento não persistirão no futuro.

“Não sei se isso é uma divisão entre os que têm e os que não têm”, afirmou Frank Kern, presidente da empresa de softwares Aricent. “As pessoas estão explorando de tudo, de satélites a balões e drones. Então, sim, há alguns países que têm hoje uma infraestrutura de comunicação menor e, por isso, menos conectividade. Mas as empresas estão tentando resolver isso de uma forma fenomenal.”

Kern afirma que países com economia menos desenvolvida são capazes de dar um grande salto à frente, uma vez que estão abertos a ideias e inovações, enquanto outros mercados mais afortunados podem estar menos dispostos a experimentar.

Segundo ele, a chave para assegurar Internet a todos, mesmo num mundo pós-5G, continuará sendo a inovação. Por outro lado, para o executivo da Ericsson Mats Norin, a luta para proporcionar o acesso universal consiste em aprender novas formas de usar o que já existe.

“Obviamente, os mercados são diferentes. Há diferentes ritmos e prazos, mas o fundamento básico para o conjunto da tecnologia celular já existe com a rede LTE”, disse Norin. “Eu acho que a LTE é um grande trampolim para a 5G, para fazer com que todos possam ter velocidades rápidas e estar conectados à Internet. Você não precisa pensar que ficou para trás se não estiver usando 5G porque pode usar o que já existe hoje.”

O executivo ressaltou que há uma oportunidade para a conectividade na disponibilidade de dispositivos cujos preços cairiam e, com isso, se tornariam mais acessíveis para consumidores de todo o planeta – como os celulares.

Quando teremos o 5G?

Alimentar a história de um futuro em que tudo estará conectado será o fio condutor para o desenvolvimento da tecnologia 5G. Mas ainda não foi possível estabelecer quando essa próxima geração da Internet móvel vai se tornar realidade.

Há três anos, a Huawei prometeu investir meio bilião de dólares em pesquisas e desenvolvimento de 5G, com objectivo de colocar a nova tecnologia no mercado até 2018. Durante o MWC, porém, o presidente da companhia chinesa, Guo Ping, prolongou as expectativas.

“O 5G não estará disponível comercialmente até 2020. E poderá levar ainda mais tempo para a implementação em grande escala”, anunciou o executivo aos participantes do evento.

Por enquanto, a tecnologia de Internet móvel do futuro ainda está no futuro. Pode ser uma corrida, mas o caminho é mais longo do que o esperado. Ainda assim, algumas pessoas duvidam da eventual chegada da conexão 5G – e do novo mundo que virá com ela. (DW)

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