Sporting goleia (4-0) Nacional e volta a isolar-se na frente – como aconteceu

(Gregório Cunha/Lusa)

O Benfica, com quem partilhava o topo, tropeçou na Luz. Mais do que o Porto, o Sporting podia ser o maior vencedor da jornada, isolando-se na frente. E isolou-se mesmo, com facilidade e goleando.

O resumo do jogo

Era difícil pedir melhor. O adversário, sabia-se de antemão, não era fácil. Nunca o foi. O Sporting perdeu lá mais pontos do que aqueles que ganhou: venceu nove vezes, empatou outras nove e perdeu três jogos. Mas hoje, também de antemão, e olhando à tática do Nacional, o Sporting entrou a vencer. Ou quase.

É que Manuel Machado fez titulares dois extremos e dois avançados-centro, deixando o meio-campo todo por conta dos defensivos Aly Ghazal e Washington Silva. Os dois simplesmente não constroem — ou não fossem eles médios-defensivos. E em minoria diante de William, Adrien e João Mário (às vezes eram mais os do Sporting, quando Bruno César ou Ruiz recolhiam ao centro), foram completamente anulados e não tiveram capacidade de anular.

O Sporting marcou, não tanto por isso — afinal, o golo nasceu de um canto –, logo a abrir. Slimani foi mais veloz que todos e atacou a bola mais alto do que todos. O Nacional simplesmente não rematou em toda 1.ª parte. E o Sporting só não aumentou porque Bruno Paixão viu os braços de Ruiz estendidos e em fora-de-jogo; o problema é que os braços não contam no fora-de-jogo.

No recomeço, mais do mesmo. Manuel Machado até deu a mão à palmatória, reduziu o número de gente na frente e aumentou-o a meio-campo, mas o Sporting, mesmo sem aumentar muito o ritmo, foi controlado, circulando, e chegaria cedo ao segundo golo. Foi aos 52′. Na área, Ruiz coloca a bola à frente do central Rui Correia, tenta ir buscá-la, mas Correia desvia-a com a mão, impedindo o costa-riquenho de progredir. E vê amarelo, Rui Correia. É Adrien quem marca a grande penalidade, sem espinhas.

O Sporting estava mais próximo do terceiro do que o Nacional de reduzir. E fê-lo mesmo, aos 63′. Que disparate de Nenê! É de João Mário o golo, numa recarga. Ruiz quis colocar a bola em Slimani, à entrada da área, mas acertou em cheio em Nenê Bonilha. O problema (para o nacional, entenda-se) é que Nenê tentou sair a jogar na defesa, Slimani surripiou-lhe a bola em três tempos, entrou na área e chutou. Acertou na barra, o argelino, mas a sobra foi ter com João Mário e este, de primeira e sem deixar que a bola tocasse sequer na relva, chutou de canhota para o 3-0.

Bruno Paixão voltou a errar. Mas deste vez, ao invés de prejudicar o Sporting, beneficiou-o. Há falta de Sequeira sobre Slimani? Há. É dentro da área? Não, é no limite, mas fora. O argelino, como não é zum-zuns (isso é para os milhentos programas desportivos de segunda-feira à noite), rematou para um lado, Gottardi foi para o outro, e o Sporting já goleava por 4-0.

Até final, o Sporting abrandou e o Nacional, por fim, aos 89′ e de livre, fez o seu primeiro (e único, realmente com direção) remate à baliza de Patrício. E já nem tinha uma molhada na frente e ninguém a meio-campo como no começo. Foi pouco, poucochinho. O Sporting vez por vencer — teve pouca oposição para fazê-lo, é certo — e isolou-se no topo da Liga, com mais três pontos do que o grande derrotado da jornada, o Benfica. (OBSERVADOR)

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