Primeiro-ministro irlandês reconhece derrota da coligação no Governo

(Aidan Crawley/Bloomberg)

O Fine Gael, de Enda Kenny, terá sido o partido mais votado mas ficou bem longe da maioria. Tal como aconteceu em Portugal e Espanha, a Irlanda está num impasse para formar governo depois das eleições.

O primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, reconheceu hoje a derrota da coligação governamental nas eleições legislativas que se realizaram na sexta-feira.

“Claramente o Fine Gael [o partido de centro-direita de Enda Kenny] e o Labour [trabalhistas] não devem ser reconduzidos e temos de esperar os resultados finais para ver quais as opções possíveis”, disse o primeiro-ministro irlandês à televisão pública RTE.

Enda Kenny afirmou que estes resultados foram “uma decepção para o Fine Gael”.

Também o ministro da Saúde reconheceu a derrota: “Os eleitores decidiram claramente não reeleger este Governo e deram ao meu partido e ao Labour uma séria derrota”, disse Leo Varadkar, fo Fine Gael.

“Não acho que a obrigação de formar um Governo recaia necessariamente em nós”, declarou à RTE, sugerindo que os partidos da oposição podem igualmente negociar no sentido de formarem um governo viável.

De acordo com as sondagens, os dois partidos da coligação deverão alcançar entre 55 e 68 lugares, longe dos 80 necessários para formarem uma maioria.

Mais de 24 horas depois do fecho das urnas não há ainda resultados finais, estando eleitos pouco mais de metade dos deputados. Num total de 158, o Fine Gael de Enda Kenny garantiu apenas 26 deputados num total de 87 eleitos. O seu parceiro de coligação, o Labor, é um dos grandes derrotados destas eleições, tendo eleito apenas três deputados. Já o Fianna Fáil, que liderava o Governo quando o pais foi alvo de um resgate, melhora os resultados face às últimas eleições e segue com 26 deputados eleitos. Ganha destaque a forte dispersão de votos pelos pequenos partidos.

Confirmam-se assim os resultados sugeridos pelas sondagens à boca das urnas e que apontam para um impasse na formação de Governo na Irlanda.

Um resultado semelhante ao que se verificou em Portugal e Espanha, em que os partidos vencedores não conseguiram os votos suficientes par formar Governo. Na Irlanda, a menos que se concretize uma pouco provável coligação entre o Fine Gael e o Fianna Fáil, cresce a possibilidade de só novas eleições resolverem o impasse.

Um cenário que também é bastante provável em Espanha e que em Portugal não se colocou pelo facto de o Presidente da República estar em final de mandato e impedido de convocar eleições.

O primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny usou, durante a campanha, o exemplo de Portugal para o que não desejava que acontecesse na Irlanda, dizendo que o país estava a pagar um preço “horrendo” pela instabilidade política, a propósito da subida da taxa de juro na dívida pública a 10 anos que ultrapassou os 4% na semana antes da votação do Orçamento do Estado. “Não queremos ser como Portugal”, terá declarado.

As legislativas de sexta-feira foram as primeiras eleições gerais na Irlanda desde o fim do programa de ajustamento associado ao resgate de 85 mil milhões de euros, em 2013.

O país, de 4,6 milhões habitantes, registou a maior taxa de crescimento económico na União Europeia nos primeiros nove meses do ano passado: 7%.

Segundo as últimas previsões da Comissão Europeia, em 2015 a Irlanda terá crescido 6,9% (possivelmente só a China terá feito melhor) e crescerá 4,5% neste ano; o desemprego caiu para níveis pré-crise (9,4%); a dívida pública desceu do pico de 120% para 98% do PIB; o défice orçamental deverá baixar neste ano para 1,3% e acomodará novas descidas de impostos e um crescimento dos gastos públicos que valem 0,7% do PIB. (Jornal de Negocios)

Negocios/Lusa

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA