Presidente interino do Haiti insta ao diálogo para ultrapassar grave crise política

O Presidente interino do Haiti, Jocelerme Privert, apelou aos diálogo entre todos os haitianos Foto: Lusa/D.R

O Presidente interino do Haiti, Jocelerme Privert, instou, este domingo, todos os atores políticos a trabalharem em conjunto, por via do diálogo, para solucionar a atual crise política e travar a violência que atinge o país.

“Somos todos chamados a alcançar harmonia nacional e a participar num diálogo construtivo”, afirmou Jocelerme Privert, no seu primeiro discurso à nação, após tomar posse no cargo.

“O nosso dever moral pede que nos concentremos exclusivamente numa administração do Estado sã, rigorosa, imparcial e transparente”, afirmou Jocelerme Privert, no seu primeiro discurso à nação, após tomar posse no cargo, a partir dos jardins do palácio presidencial.

“O Haiti é o mais importante e temos de fazer sacrifícios para tirar o país da crise. Quero felicitar o povo haitiano pela sua demonstração de tolerância e paciência durante este processo”, disse o político, de 63 anos, eleito para o cargo pela Assembleia Nacional do Haiti, a qual presidia até à sua nomeação.

Foi a primeira vez desde 1946 que um chefe de Estado do Haiti foi escolhido através de uma eleição indireta.

Jocelerme Privert, alto dirigente do Partido Inite (Unidade), liderado pelo ex-presidente haitiano René Préval, apelou ainda a esforços: “Temos que transformar o país para a geração vindoura: Precisamos de uma nova realidade social, pelo que exorto o setor privado a juntar-se a estes esforços, já que esta é uma grande oportunidade para iniciar um processo de mudança”.

Relativamente ao processo eleitoral que o seu Governo de transição é chamado a concluir, Privert sublinhou que esforçar-se-á para oferecer as maiores facilidades ao povo, porque “o povo é que manda”.

Privert assumiu o poder depois da partida do antigo Presidente Michel Martelly a 07 de fevereiro, depois de a eleição para escolher o seu sucessor ter sido adiada devido a receios de uma escalada da violência.

Os conflitos políticos internos levaram ao atraso da realização das eleições gerais, cuja primeira volta se realizou finalmente a 25 de outubro último, apesar de a oposição ter condenado os seus resultados. A segunda volta nunca chegou a ter lugar.

Ao aproximar-se o termo do mandato, Martelly chegou a um acordo com Privert e o presidente da Câmara dos Deputados, Cholzer Chancy, para o estabelecimento de um governo de transição.

A par da crise política, o Haiti tem sido palco de vários episódios de violência relacionados com o processo eleitoral, e a sua enfraquecida economia viu-se ainda mais debilitada com elevadas taxas de inflação e a contínua desvalorização da moeda nacional, o gourde, relativamente ao dólar norte-americano. (Agência Lusa -DM/ISG)

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